A economia brasileira deve recuar entre 1% e 2% de janeiro a março deste ano, face ao trimestre anterior, graças aos primeiros impactos da recessão provocada pela Covid-19, que será sentida com mais força no segundo trimestre do ano.

O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil será anunciado na sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mas especialistas já antecipam uma contração que vai piorar no segundo trimestre do ano, para quando é esperada uma queda de até 10% da economia do país.

Segundo projeções da Fundação Getulio Vargas (FGV), principal centro privado de estudos económicos do país, a economia brasileira recuou 1% nos três primeiros meses de 2020 em relação ao trimestre anterior.

A previsão da FGV apresenta uma perspetiva mais otimista do que o indicador divulgado este mês pelo Banco Central e segundo o qual a atividade económica no Brasil perdeu 1,95% no primeiro trimestre em relação ao quarto trimestre do ano passado.

Essa taxa de crescimento é medida pelo Índice de Atividade Económica do Banco Central (IBC-Br), utilizado para tentar antecipar a previsão do PIB.

O surgimento do novo coronavírus é um duro golpe para uma economia que se recupera lentamente de uma recessão histórica que aconteceu entre 2015 e 2016, quando o PIB brasileiro recuou perto de sete pontos percentuais.

A previsão inicial, antes da pandemia, era que a economia brasileira aumentaria em 2020, com uma expansão de até 2,5%.

No entanto, os impactos do novo coronavírus e a escalada da turbulência política no país forçaram o governo e os analistas a reverem as suas projeções para este ano e a alertar para uma recessão anual que poderia ser a pior em mais de um século.

O governo brasileiro espera uma retração do PIB de 4,7% em 2020, previsão próxima da do Fundo Monetário Internacional (FMI), que calcula uma queda do PIB brasileiro em cerca de 5,3%.

Mais pessimista, o Instituto Internacional de Finanças (IFF), reviu recentemente as suas previsões sobre a economia brasileira e calculou que haverá uma queda de 6,9%, percentagem pior que o esperado em abril, quando a mesma instituição apontou que o recuo seria de 4,1%.

O Brasil, que saiu ileso da crise financeira de 2008, “agora enfrenta múltiplos desafios” e sofrerá uma “desaceleração económica sem precedentes”, devido à sua “incerteza política”, ao “alto nível do défice de dívida fiscal”, além de sua “dependência comercial com a China”, afirmou em entrevista à agência Efe o chefe de investigação latino-americana do IFF, Martin Castellano.

A instituição apontou que a crise do novo coronavírus terá efeitos económicos duradouros para o Brasil, mas também para a América Latina como um todo.

O Brasil registou 411.821 casos confirmados e 25.598 mortes provocadas pelo novo coronavírus desde que a pandemia chegou ao país, em 26 de fevereiro.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de Covid-19 já provocou mais de 355 mil mortos e infetou mais de 5,7 milhões de pessoas em 196 países e territórios.