A ‘startup’ 3DWays procura um parceiro para disseminar o uso de dois dispositivos que criou e que ajudam a abrir portas e a premir botões de forma segura, em resposta à pandemia de covid-19, segundo o seu sócio gerente.

Em entrevista à Lusa, Francisco Tenente indicou que a empresa, especializada na conceção e industrialização de novos produtos, para áreas como a mecatrónica e a manutenção, criou uma peça que se adapta a um puxador de porta e permite abri-la com o antebraço e um dispositivo para premir botões, por exemplo em elevadores ou no multibanco.

“Temos capacidade e conseguimos começar imediatamente a colocar este produto no mercado. Sentimos que é um produto necessário e depois conseguimos obter métricas que nos vão ajudar a escalar a produção como, por exemplo, perceber quais os produtos que as pessoas mais querem, de quantos precisam em média, entre outras questões”, adiantou.

“Estamos à procura de um parceiro de uma grande superfície ou empresa que queira disponibilizar esta peça no mercado. Por exemplo, os supermercados podiam ter estas peças perto das caixas, por um valor simbólico e até doar em parte para instituições”, referiu, dando ainda o exemplo das bombas de gasolina e outros lugares onde haja movimento em massa de pessoas.

A 3DWays arrancou em 2016 depois de uma ideia de Francisco Tenente para “uma ventoinha automatizada para tendas de campismo”.

“Tenho mais de 190 ideias de negócio escritas e o maior desafio que encontrei quando fiz a minha ventoinha foi que precisava de perceber de eletrónica, de indústria, de prototipagem, de falar com as pessoas da eletrónica, com as pessoas dos plásticos”, adiantou, referindo que percebeu nessa altura que não havia ninguém que “simplificasse esse processo”.

Depois disso, resolveu comprar quatro impressoras 3D e começar “a fazer desenvolvimento de produto e prototipagem com essas máquinas”, realçou o empreendedor.

Depois de apostar em mercados de nicho, que não estavam a ser muito rentáveis, a empresa começou a “oferecer serviços em desenvolvimento de produto de prototipagem rápida e industrialização a empresas”.

“Hoje desenvolvemos quatro mil produtos, para uma série de mercados diferentes, fazemos restauros de artefactos museológicos, dispositivos médicos, componentes de máquinas elétricas, ortóteses, manutenção de transportes”, destacou o sócio gerente da empresa.

“Ganhamos uma experiência muito grande em passar de um conceito, de um rabisco num papel, para um produto concreto e fabricá-lo em dez unidades ou dez milhões de unidades de forma super-rápida e com qualidade”, salientou.

Em janeiro e fevereiro deste ano a empresa faturou perto de 200 mil euros, um valor superior ao obtido durante o ano completo de 2019, em que foi preciso alterar o modelo de negócios.

“Estávamos com uma visão um bocado exotérica. A nossa ideia passa por cada pessoa ter a ‘cartola de mágico’ na sua empresa e desenvolvemos este sistema, em que cada uma tinha produtos a serem desenvolvidos com a mesma facilidade com que fazemos papel [com impressoras 3D]. Mas as empresas ainda não estavam abertas a isso, e começamos a fazer nós as peças e a enviar”, o que aumentou o volume de negócios do grupo, segundo Francisco Tenente.

A 3DWays faz parte do projeto SOS Covid, tendo produzido viseiras para entregar em diversas instituições. “Durante o mês de março estivemos a oferecer tudo, a 100%, e então faturamos zero”, referiu.

A partir de abril a empresa começou a fabricar estes equipamentos para clientes que os contactaram nesse sentido, tendo em conta os preços elevados com que estavam a ser confrontados.

“Neste mês [maio] já começamos a ter alguns clientes a voltar, mas longe da faturação que tínhamos no início deste ano”, reconheceu o sócio gerente.

A empresa tem neste momento cinco trabalhadores e conta fechar o ano com uma faturação de 600 mil euros, segundo Francisco Tenente.