A recolha seletiva de resíduos porta a porta na cidade de Lisboa é esta segunda-feira retomada, mais de dois meses depois da interrupção devido à pandemia de Covid-19, mantendo-se os dias determinados para lixo comum, papel e embalagens.

“Já se pode voltar a separar o lixo, embalagens e papel nos diferentes caixotes dos prédios”, referiu a Câmara Municipal de Lisboa, informando que os dias de recolha voltam a ser os que existiam antes da pandemia.

Com a terceira fase do plano do Governo de desconfinamento, que se inicia esta segunda-feira com o levantamento de algumas restrições impostas, o município de Lisboa afirmou que “já é possível reiniciar todos os circuitos” de recolha de resíduos, inclusive a retoma da recolha seletiva porta a porta.

No contexto da Covid-19, seguindo as indicações das autoridades de saúde e ambientais, as equipas da higiene urbana da Câmara Municipal de Lisboa passaram a trabalhar de forma desfasada, “uma medida para defender a saúde dos trabalhadores e, ao mesmo tempo, garantir que um serviço essencial à população tinha condições para continuar a funcionar independentemente da evolução da pandemia”.

Com a retoma da recolha seletiva de resíduos porta a porta na capital, a autarquia sublinhou que “a cidade continua comprometida com as metas ambientais definidas para o aumento da reciclagem em Portugal, onde Lisboa tem de longe as taxas mais elevadas de todo o país, e com as medidas de descarbonização que mereceram a Lisboa a distinção de Capital Verde Europeia 2020”.

A decisão de suspensão da recolha porta a porta de papel e plástico foi anunciada em 20 de março pelo município, que informava que passariam apenas a ser recolhidos os resíduos indiferenciados três vezes por semana, de modo a “garantir a proteção da saúde pública e dos trabalhadores envolvidos nas operações de recolha e tratamento de resíduos e, em simultâneo, controlar os fatores de disseminação da doença e contágio por Covid-19”.

Na terça-feira, o vereador responsável pelo pelouro da Higiene Urbana, Carlos Castro, disse que o município iria retomar a esta recolha seletiva a partir desta segunda-feira, com a recolha de lixo indiferenciado a realizar-se três vezes por semana.

Não terminámos com a recolha seletiva, apenas por uma questão de precaução tivemos de fazer esta paragem na recolha porta a porta”, reforçou Carlos Castro.

Durante o período em que a recolha seletiva de resíduos porta a porta foi interrompida, a Câmara de Lisboa manteve a recolha de resíduos para reciclagem nos ecopontos e eco-ilhas.

Portugal contabiliza pelo menos 1.410 mortos associados à Covid-19 em 32.500 casos confirmados de infeção, segundo o último boletim diário da Direção-Geral da Saúde (DGS), contabilizando 19.409 doentes recuperados da doença.

Em 3 de maio, Portugal entrou em situação de calamidade devido à pandemia, que na sexta-feira foi prolongada até 14 de junho, depois de três períodos consecutivos em estado de emergência desde 19 de março.

A terceira fase do plano de desconfinamento devido à pandemia de Covid-19 arranca esta segunda-feira, com o fim do “dever cívico de recolhimento” e a reabertura de centros comerciais, salas de espetáculos, cinemas, ginásios, piscinas e Lojas do Cidadão.

Entre as novas medidas destaca-se a abertura dos centros comerciais (à exceção da Área Metropolitana de Lisboa, que continuarão encerrados até, pelo menos, 4 de junho), dos ginásios ou das salas de espetáculos. Estas medidas juntam-se às que entraram em vigor no dia 18 de maio, entre as quais a retoma das visitas aos utentes dos lares de idosos, a reabertura das creches, aulas presenciais para os 11.º e 12.º anos e a reabertura de algumas lojas de rua, cafés, restaurantes, museus, monumentos e palácios.

No sábado regressaram as cerimónias religiosas comunitárias, enquanto a abertura da época balnear pode começar em 6 de junho.