O Grupo Volkswagen é quem lidera nas vendas mundiais, possuindo fábricas nos quatro cantos do mundo. E como seria de esperar, o maior mercado em termos globais, a China, tem um lugar de destaque na estratégia de crescimento do conglomerado alemão, que aí possui várias fábricas.

Todas essas instalações fabris têm em comum uma parceria da Volkswagen com um fabricante local, pois a isso o Estado chinês obrigou todos os construtores estrangeiros, pelo menos até 2019. Foi então que esta obrigação foi retirada, quando a Tesla se impôs, afirmando que a Gigafactory de Xangai só avançaria caso fosse 100% da marca norte-americana. Esta imposição abriu a porta às restantes marcas, o que nos traz ao “divórcio” da Volkswagen na China.

O grupo germânico mantém com a chinesa JAC uma das maiores joint-ventures do país. Mas, a 29 de Maio, a Volkswagen anunciou que iria incrementar os actuais 50% que controla para uns mais expressivos 75%. Esta renegociação da joint-venture irá custar aos alemães 2000 milhões de euros. Trata-se de uma espécie de semi-divórcio que permite à Volkswagen passar a controlar as instalações, especialmente quando se pensa que, em 2025, o número de veículos eléctricos consumidos pelos chineses deverá atingir um valor próximo de 1,5 milhões de modelos a bateria por ano.

Se bem que controlar a sociedade possa parecer teoricamente apelativo, dificilmente a Volkswagen poderá contar com isso, caso entre em rota de colisão com o seu sócio, ou a Alemanha com o Estado chinês, como poderá acontecer a pretexto do coronavírus, por exemplo.

A joint-venture, que essencialmente se vai cada vez mais concentrar em veículos eléctricos, vai permitir à Volkswagen decidir quem quer contratar para o fornecimento de baterias, com os alemães a terem debaixo de olho os chineses da Gotion High-Tech, igualmente pertença do Estado. Segundo a Volkswagen, trata-se de uma opção com grande potencial, além de lhes permitir “incrementar o know-how no capítulo das baterias, uma vez que a Gotion é muito activa no campo da produção, mas também no desenvolvimento e reciclagem”.