A percentagem de empresas em funcionamento, ainda que parcial, aumentou ligeiramente na segunda quinzena de maio para 92%, face aos 90% dos primeiros quinze dias do mês, segundo o inquérito do Banco de Portugal e do Instituto Nacional de Estatística.

Já face aos dados de abril, quando estava em vigor o estado de emergência, o aumento das empresas em funcionamento é mais significativo, de 83% para 92%.

No setor “alojamento e restauração”, dos mais atingidos pela crise desencadeada pela Covid-19, a proporção de empresas em funcionamento aumentou 45% para 58% na segunda quinzena de maio. Ainda assim, refere o inquérito, este setor continuou com a percentagem mais elevada de empresas encerradas, temporária (38%) ou definitivamente (4%).

Quanto a outros setores, “indústria e energia” tem 96% das empresas em funcionamento, ‘construção e atividades imobiliárias’ 97% a funcionar, “comércio” 95% em funcionamento, “transportes e armazenagem” 94% em funcionamento, “informação e comunicação” 93% em funcionamento e “outros serviços” 89% das empresas a funcionar.

Quanto ao volume negócios, comparando com a situação que seria expectável sem pandemia, 73% das empresas indicaram impacto negativo na segunda quinzena de maio (abaixo das 77% que o reportaram na quinzena anterior), dos quais 42% com redução abaixo de 50% e 31% maior ou igual a 50%.

O setor “alojamento e restauração” é aquele com maior percentagem de empresas com reduções no volume de negócios face ao expectável sem pandemia (90%), mas abaixo do registado na quinzena anterior (97%).

Comparando abril com maio, a percentagem de empresas que responderam ao inquérito com redução no volume de negócios, face ao que seria expectável sem pandemia, caiu de 80% para 75%.

Ainda na segunda quinzena de maio, 45% das empresas assinalaram reduções do trabalhadores efetivamente ao serviço, comparando com o que seria expectável sem pandemia (50% na quinzena anterior).

Quanto à dimensão da redução de funcionários efetivamente a trabalhar, 17% das empresas indicaram uma redução superior a 50% e 16% reduções entre 10% e 50%.

Nas empresas de ‘alojamento e restauração’, 72% referiram impacto negativo no pessoal ao serviço, ainda assim abaixo dos 82% da quinzena anterior. Este setor é também aquele a reportar maior redução de trabalhadores pelo regime de layoff simplificado.

Já comparando maio com abril, a percentagem de empresas que referiram impacto negativo no pessoal efetivamente a trabalhar face ao expectável sem pandemia reduziu-se, passando de 59% em abril para 48% em maio.

Os dados da segunda quinzena de maio indicam ainda que 53% das empresas tinham pessoas em teletrabalho e 46% tinham trabalhadores com presença alternada nas instalações da empresa.

Houve ainda uma percentagem muito elevada de empresas a assinalar dificuldades no cumprimento dos requisitos de higiene e segurança para a retoma da atividade, sendo as razões a indisponibilidade de material de proteção individual (máscaras, viseiras, desinfetante, etc.), as restrições no espaço físico e os custos elevados.

Quanto às medidas do Governo de apoio às empresas, mais de metade não prevê que recorra a outras medidas além do layoff simplificado.

Das empresas em funcionamento ou temporariamente encerradas que responderam ao inquérito, cerca de 15% recorreram a crédito adicional na segunda quinzena de maio, com o setor “alojamento e restauração” com a percentagem mais elevada de empresas nesta situação (27%), seguindo de “indústria e energia” (17%).

O Inquérito Rápido e Excecional às Empresas – COVID-19 (COVID-IREE), referente à segunda quinzena de maio de 2020, abrangeu 8.883 micro, pequenas, médias e grandes empresas dos diversos setores de atividade económica, tendo sido obtidas 5.313 respostas válidas.