O Rio de Janeiro, uma das cidades mais afetadas pelo novo coronavírus no Brasil, iniciou esta terça-feira uma reabertura gradual e confusa da economia, com decretos a permitir algumas atividades e decisões judiciais limitando as mesmas medidas.

O plano de retoma de atividades não essenciais no Rio de Janeiro será dividido em seis fases, cada uma com duração prevista de 15 dias, segundo o prefeito da cidade, Marcelo Crivella.

“A primeira etapa começa hoje, com o funcionamento dos serviços essenciais. Gradualmente, retomaremos as atividades, com todas as medidas preventivas. A previsão é que cada fase dure 15 dias, mas esse prazo não é fixo”, escreveu Crivella nas redes sociais.

“Estamos esperançosos para que, aos poucos, nossa vida volte ao normal e em segurança. Se a curva aumentar, vamos ter de recuar. Mas contamos com todos nas precauções para voltarmos ao novo normal o quanto antes”, acrescentou noutra mensagem.

Nesta primeira fase, revendedores de automóveis e lojas de móveis e decoração podem reabrir. Também foram permitidas atividades físicas na praia e desportos aquáticos individuais, como surf.

Crivella, que é um pastor evangélico, autorizou as igrejas a celebrar missas e cultos seguindo uma série de protocolos sanitários.

No entanto, a Justiça do Rio de Janeiro ratificou na segunda-feira uma decisão que proibiu a reabertura dos templos religiosos.

Além disso, a reabertura determinada pelo prefeito ‘carioca’ colide com um decreto publicado esta terça-feira pelo governador do estado Rio de Janeiro, Wilson Witzel, que prorrogou até à próxima sexta-feira as medidas restritivas de circulação de pessoas em vigor no estado desde março passado.

De acordo com o texto, apenas serviços essenciais podem funcionar no estado do Rio de Janeiro, enquanto negócios não essenciais devem permanecer fechados.

Witzel também recomendou que a população não fosse às praias, lagoas, rios e piscinas públicas do Rio de Janeiro, que é o segundo estado no Brasil mais atingido pela Covid-19, com 5.462 mortes e 54.530 casos confirmados.

A maioria dos mortos (3.671) e infeções (30.014) registadas no estado do Rio aconteceram na capital ‘carioca’, segundo dados oficiais.

O Brasil registou quase 30.000 mortes provocadas pela pandemia de Covid-19, tornando-se o quarto país com mais mortes no mundo.

Houve a deteção oficial de quase 530 mil infetados pela doença no país, que está atrás apenas dos Estados Unidos da América quando se analisa o número de pessoas contaminadas em todos os países do mundo.

Apesar de o pico da pandemia ser esperado apenas para acontecer nas próximas semanas, vários estados brasileiros já começaram a reabrir suas economias, incluindo São Paulo, o motor económico do país e o estado mais afetado pela pandemia.

O retorno à normalidade foi exigido pelo Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, desde março passado, quando os estados e municípios do país começaram a adotar medidas de distanciamento social para deter a proliferação da Covid-19.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de Covid-19 já provocou mais de 375 mil mortos e infetou mais de 6,2 milhões de pessoas em 196 países e territórios.