O ciclone Nisarga enfraqueceu de “grave” para “tempestade ciclónica” depois desta quarta-feira ter atingido, com ventos até 120 quilómetros por hora, a costa ocidental da Índia, onde causou pelo menos três mortes e danos materiais.

As árvores e os telhados foram arrancados à passagem do ciclone, que atingiu em particular Maharashtra, o Estado mais afetado na Índia pela pandemia do novo coronavírus.

O Nisarga chegou ao distrito de Raigad, perto da cidade de Alibag, por volta do meio-dia desta quarta-feira, com ventos de quase 100 quilómetros por hora, em vez de atingir diretamente a capital financeira do país, Bombaim, localizada a cerca de 50 quilómetros a norte, como se temia.

De acordo com o Departamento de Meteorologia da Índia (IMD), o ciclone continuou a mover-se para o interior a partir de Maharashtra, “deslocando-se para nordeste e enfraquecendo numa tempestade ciclónica”.

Entre a confusão inicial causada pelos cortes de energia e a interrupção dos serviços telefónicos, as autoridades locais comunicaram a morte de duas pessoas em Raigad.

Trata-se de um rapaz de 10 anos, que morreu na sequência da queda de uma árvore, na cidade de Shrivardan, e de um homem que caminhava pela rua em Alibag, disse o gabinete distrital de Raigad à agência Efe.

A área sofreu danos materiais, nomeadamente a queda de árvores, de postes de eletricidade e telhados arrancados pela força da tempestade.

Ayush Prasad, um oficial da cidade de Pune, a cerca de 100 quilómetros para o interior, relatou a morte de uma mulher de 65 anos quando um muro da sua casa caiu, segundo a agência noticiosa local ANI.

A rápida evolução do ciclone nos últimos dias, duas semanas após a tempestade Amphan ter deixado mais de cem pessoas mortas na Índia e no Bangladesh, ao atravessar a baía de Bengala, tinha criado o receio de inundações nas zonas mais baixas de Bombaim devido às ondas e às fortes chuvas.

Embora a costa indiana seja atingida por ciclones todos os anos, esta é a primeira tempestade ciclónica severa a atingir a cidade de Bombaim em décadas.

A chegada do ciclone obrigou à deslocação de dezenas de milhares de pessoas em Maharashtra e no Estado vizinho de Gujarate, como medida preventiva.

No caso do distrito de Palghar, a norte de Mumbai, mais de 15. 000 pessoas consideradas em risco foram deslocadas para abrigos, embora no final o impacto em Nisarga tenha sido menor do que o que se temia e não se tenham verificado danos materiais importantes, disse à Efe um responsável da autoridade distrital de gestão de catástrofes, Vivekanand Kadam.

O ciclone ocorreu num momento particularmente difícil para as autoridades devido ao surto de casos de coronavírus na Índia, com mais de 200.000 casos positivos em todo o país e 5.815 mortes, e as medidas de contenção ainda em vigor.

Maharashtra é o Estado mais afetado pela pandemia, com mais de 72. 000 casos confirmados e 2. 465 mortes, enquanto Gujarate é o quarto Estado onde a Covid-19 mais se faz sentir, com mais de 17. 000 infetados e 1 092 mortes.