Depois de o Correio da Manhã ter noticiado, esta quarta-feira, que dos 1.151 ventiladores comprados pelo Ministério da Saúde à China só 264 é que chegaram a Portugal, fazendo que que houvesse um total de 887 ventiladores ainda retidos na embaixada ou perdidos, o secretário de Estado da Saúde aproveitou a conferência de imprensa habitual na DGS para fazer um “esclarecimento”: “Não há ventiladores perdidos”, disse.

“Depois de terem chegado esta manhã 108 ventiladores, prevê-se que cheguem até ao próximo sábado mais 335 ventiladores em voos sequenciais”, disse ainda António Lacerda Sales, esclarecendo que os 443 que o jornal dava conta de que estavam retidos na embaixada portuguesa em Pequim estão a chegar a Portugal aos poucos, prevendo-se que o processo termine no próximo sábado, dia 6.

“Estes 443 ventiladores que se encontravam na embaixada de Portugal em Pequim juntam-se assim aos 264 que já estão em território nacional, o que faz com que sejam 707 equipamentos no total, ou seja, 61% do total das compras efetuadas pelo Estado à China”, esclareceu, referindo-se à totalidade dos 1.151 ventiladores adquiridos.

O secretário de Estado reforçou ainda que foram adquiridos 1.151 aparelhos de forma a duplicar a capacidade de resposta do SNS, “o que é um grande reforço da nossa capacidade de resposta, que será útil para o futuro e para uma eventual segunda vaga da pandemia”, disse. Ou seja, “não só não temos ventiladores perdidos como também não perdemos o rumo da nossa estratégia de combate à pandemia”, sublinhou.

Ventiladores da China. Chegaram 108 esta manhã a Lisboa, processo deve ficar concluído esta semana

Já esta quarta-feira de manhã, em declarações à Rádio Observador, o secretário de Estado da internacionalização, Eurico Brilhante Dias, tinha contrariado os números avançados pelo Correio da Manhã, garantindo que esta manhã tinham chegado ao aeroporto de Lisboa mais 108 ventiladores, e que se previa que o processo continuasse a decorrer até à madrugada de sábado.

Quanto ao aumento de casos na região de Lisboa e Vale do Tejo, tanto Graça Freitas como Lacerda Sales admitiram que esta região continua a ser o principal “foco” dos testes, com o secretário de Estado a sublinhar, contudo, que “quanto mais se testa mais se encontra”. Ou seja, é normal que haja um aumento do número de casos, na medida em que as autoridades estão ativamente à procura deles. A estratégia é essa: “circunscrever os focos, sendo que depois os resultados acabam por ser proporcionais a estes focos de testagem”.

O facto de Sintra continuar a ser o concelho com maior aumento do número de casos explica-se, em parte, pelo facto de nos últimos quatro dias os dados de Sintra não estarem a ser facultados, pelo que só ontem, terça-feira, é que a soma dos dias todos foi incluída no boletim. Segundo Graça Freitas, em média, Sintra tem tido nestes dias um aumento diário de 41 novos casos.

Volta a Portugal depende de autorização do Governo

Relativamente à federação portuguesa de ciclismo, com quem a DGS se reuniu ontem, Graça Freitas afirma que o acordado foi que a federação faria chegar um documento de auto-regulação com aquilo que a federação se propõe a fazer preventivamente no caso de se realizar a Volta a Portugal, sendo que quando esse plano chegar á DGS “será analisado”.

“Haverá uma fase de negociação e a DGS depois emitirá um parecer, sendo que a decisão da realização da prova dependerá do Governo”, disse a diretora-geral de saúde, garantindo que a decisão final compete ao Governo. O parecer da DGS deverá estar pronto em breve.

Questionada sobre a diferença entre os espetáculos culturais, que têm direito a público, com regras, e os jogos de futebol que regressam hoje mas sem público, Graça Freitas afirmou que cada decisão foi tomada num tempo em função da realidade epidemiológica da altura, daí poderem ser decisões ligeiramente diferentes. Em todo o caso, Graça Freitas sublinha que se exige um “princípio de precaução”. Ou seja, nenhum cuidado é demasiado.

“Por princípio de precaução mantém-se que os jogos de futebol não tenham público, mas isso pode mudar”, disse na conferência de imprensa, afirmando ainda que o dia de hoje, dia em que retoma a Primeira Liga de futebol é um dia importante na medida em que está em causa uma prova de civismo. “Hoje é o grande dia da prova de civismo que temos de dar”, disse, afirmando que foi “muito importante” para o país retomar a liga de futebol e portanto “hoje está nas mãos de todos que a jornada corra de forma tranquila e sem riscos para a saúde pública”.