O governador do Cuanza Sul, Job Capapinha, exonerou cinco elementos do quadro temporário do seu gabinete numa altura em que decorre uma investigação da Procuradoria-Geral da República (PGR) relativa a alegados atos de gestão danosa.

Numa nota datada de terça-feira, a que a Lusa teve esta quinta-feira acesso, o governo da província dá a conhecer que foram exonerados o diretor do gabinete do governador, Gildo Ferreira, o seu diretor adjunto, Bernardino Lopes, os assessores do governador, Quintas Majana e Manuel Santana, bem como a secretária do seu gabinete, Odete Manuel. A nota não detalha os motivos das exonerações.

O governo do Cuanza Sul tem estado na mira da justiça angolana após denúncias surgidas nas redes sociais, tendo sido já abertos dois inquéritos “que correm os trâmites legais e estão na fase conclusiva”, declarou na quarta-feira o porta-voz da PGR, Álvaro João.

Se se determinar que houve algum dano ao património publico, os autores serão responsabilizados criminalmente”, salientou o responsável, prometendo mais desenvolvimentos nos próximos dias.

No domingo, o inspetor-geral das Finanças do Cuanza Sul, Rodrigues Eduardo, que iria prestar declarações no âmbito do processo que envolve o governador daquela província, Job Capapinha, foi assassinado em Luanda com um tiro à queima-roupa, segundo o Novo Jornal.

A PGR no Cuanza Sul confirmou, recentemente, ter instaurado um inquérito sobre a suposta sobrefaturação no aluguer de duas viaturas para os vice-governadores provinciais, avaliadas em mais de 191 mil kwanzas (295 euros) por dia, para um período de um ano.

Segundo fontes da PGR, citadas pelo Novo Jornal, o contrato foi assinado Job Capapinha, e por uma empresa constituída em dezembro de 2018, propriedade de um mauritano, para aluguer de viaturas.

Em meados de maio, o secretário provincial da UNITA no Cuanza Sul, Armando Kakepa, pediu a exoneração imediata do governador devido ao que considerou ser “um escândalo vergonhoso”, aludindo às dificuldades financeiras que o país vive.