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O sonho de Trincão e a crença da equipa coragem – que acabou a agradecer via Zoom (a crónica do Santa Clara-Sp. Braga) /premium

Trincão sofreu um penálti, marcou um golo e voltou a espalhar magia (a espaços) num Sp. Braga que esteve duas vezes em vantagem, ficou reduzido a dez e caiu nos descontos frente ao Santa Clara (3-2).

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Trincão foi um dos destaques do Sp. Braga na Cidade do Futebol mas Santa Clara conseguiu fazer a festa nos descontos

Gerardo Santos

Trincão foi um dos destaques do Sp. Braga na Cidade do Futebol mas Santa Clara conseguiu fazer a festa nos descontos

Gerardo Santos

Por Aarhus não há muita gente a fazer a associação a um clube de futebol, por Aarhus Gymnastikforening ainda menos. Pois bem, uma breve apresentação para explicar o contexto: trata-se de um dos clubes mais antigos da Dinamarca, nascido em 1880, ganhou cinco vezes o Campeonato, tem também nove Taças (um recorde no plano nacional). No entanto, e apesar dos 140 anos, é tudo menos antiquado: com o regresso do futebol à porta fechada, os De Hviie (alcunha pelo qual são mais conhecidos) vendeu cerca de 10 mil passes entre adeptos e criou uma tribuna virtual por onde iam passando imagens dos fãs em casa a torcer via Zoom. Não foi suficiente, porque a equipa acabou por perder com o Horsens, mas serviu para fazer notícia um pouco por todo o mundo.

Adeptos participam por Zoom no regresso da Liga dinamarquesa

Em dia de estreia em jogos da Primeira Liga, a Cidade do Futebol não quis falhar e vestiu-se a rigor para receber da melhor forma o Santa Clara. E isso foi visível em todos os pormenores, da bandeira grande dos Açores no centro do relvado durante o aquecimento ao poster na bancada central de Valquirio e Belchior, dois adeptos que torcem pelos insulares com um fato de uma vaca fazendo referência ao setor dos laticínios e que acabaram por ficar como uma imagem de marca. A isso juntaram ainda o pormenor da Bancada Virtual via Zoom nos ecrãs gigantes colocados no principal recinto do complexo, que iam mostrando as reações em casa dos adeptos durante o jogo.

Não foi apenas nos Açores e em Braga que as atenções estavam centradas porque, em Barcelona, há um clube que segue a par e passo a realidade dos minhotos por causa de um reforço já garantido para a próxima temporada, Francisco Trincão. “Já sabemos que vamos perder um dos grandes jogadores, um que considero o melhor… e que vai marcar uma década daqui para a frente”, comentou António Salvador, presidente do clube, em resposta aos adeptos nas redes sociais. Mais uma vez, o jovem jogador mostrou-se: sofreu um penálti, marcou um golo e foi espalhando classe a espaços em campo. No entanto, o Santa Clara, a equipa descrita pelo seu treinador João Henriques como “aquela que teve mais coragem” por ter assumido desde início que vinha para o Continente abdicando dos seus jogos em Ponta Delgada “a bem da região, por motivos de saúde, e pelas muitas viagens num curto espaço de tempo” nunca desistiu, recuperou de duas desvantagens e ganhou nos descontos (3-2).

Trincão, o Mahrez do Minho que precisou de autorizações para viajar com o Sp. Braga e agora vai ser reforço do Barcelona

Ficha de jogo

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Santa Clara-Sp. Braga, 3-2

25.ª jornada da Primeira Liga

Cidade do Futebol, em Oeiras

Árbitro: Artur Soares Dias (AF Porto)

Santa Clara: Marco; Sagna, João Afonso, Fábio Cardoso, Zaidu (Diogo Salomão, 84′); Anderson Carvalho (Rashid, 78′), Francisco Ramos, Mamadu Candé, Lincoln; Thiago Santana (Cryzan, 75′) e Carlos Júnior

Suplentes não utilizados: André Ferreira; César, Costinha e Zé Manuel

Treinador: João Henriques

Sp. Braga: Matheus; Bruno Viana, Raúl Silva, David Carmo; Ricardo Esgaio, Palhinha (Rui Fonte, 83′), Fransérgio, Sequeira; Trincão (Galeno, 72′), Ricardo Horta (Wilson Eduardo, 84′) e Paulinho

Suplentes não utilizados: Eduardo, Rolando, André Horta e João Novais

Treinador: Custódio

Golos: Fransérgio (20′, g.p.), Thiago Santana (34′ e 66′, g.p.), Trincão (56′) e Carlos Júnior (90+2′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Fábio Cardoso (27′), Raúl Silva (45+1′ e 64′), Mamadu Candé (73′) e João Afonso (87′); cartão vermelho por acumulação a Raúl Silva (64′)

Com Trincão sempre em plano de evidência jogando na ala direita do ataque e Fransérgio a mostrar o porquê de ser um médio tão falado pela inteligência tática que faz diferença em qualquer equipa, o Sp. Braga apareceu mais forte nos minutos iniciais e teve uma boa iniciativa para zona de finalização com apenas seis minutos decorridos, quando Paulinho acabou por ver o remate que podia levar perigo prensado num defesa. O Santa Clara conseguiu então um período de maior equilíbrio, tentando assentar a ideia de jogo, mas uma entrada fora de tempo do lateral Zaidu sobre Trincão da área deu possibilidade a Fransérgio de inaugurar o marcador (20′).

Os açorianos foram tentando reagir mas as situações de perigo junto da baliza de Matheus surgiram apenas em lances de estratégia, com Lincoln a assumir as marcações de livres laterais (desvio muito perigoso de Fábio Cardoso ao segundo poste para defesa do guarda-redes brasileiro) ou diretos. No entanto, o médio brasileiro de 21 anos formado no Grêmio que tem sido uma das revelações na equipa de João Henriques é mais do que um cobrador de bolas paradas e foi dos pés dele que nasceu o golo do empate, com Lincoln a soltar Zaidu na esquerda, cruzamento de primeira para a área e remate fortíssimo de primeira de Thiago Santana a fazer o empate (34′).

[Clique nas imagens para ver os melhores momentos do Santa Clara-Sp. Braga em vídeo]

Voltava tudo à estaca zero (ou um) mas o Santa Clara conviveu muito melhor com essa circunstância do que o Sp. Braga, agigantando-se perante um conjunto minhoto que acusou o empate e paralisou no encontro, perdendo referências posicionais e capacidade de posse. Aliás, se não fosse um São Matheus o intervalo teria chegado com outro resultado: o brasileiro começou por defender um remate cruzado de Zaidu na área com o ombro após mais uma assistência de Lincoln; no seguimento do lance, Lincoln foi ao lado direito marcar um canto para desvio de cabeça a rasar o poste de João Afonso; no minuto seguinte, após um cruzamento de Carlos Júnior, Zaidu voltou a aparecer isolado na área esquecido pela linha de três defesas dos visitantes mas houve nova defesa agora com os joelhos. Se os minhotos começaram melhor, os açorianos até mereciam mais nos 45 minutos iniciais.

Como diz Rúben Amorim, o técnico que Custódio substituiu nos arsenalistas, o mais importante é os jogadores e a equipa perceberem os momentos de jogo. Porque um jogo de futebol é exatamente isso, o total de um acumular constante de momentos. No caso do Sp. Braga, o final da primeira parte e o início da segunda foi o equivalente à viragem radical nesses tais momentos e, com mais Trincão no encontro e a pisar terrenos entre linhas até mais interiores, os visitantes controlaram, foram melhores, empurraram o adversário para o meio-campo contrário e chegaram mesmo à vantagem, com o esquerdino a rematar de primeira na área após cruzamento rasteiro de Sequeira e a fazer o 2-1 que premiava a melhor entrada após o reatamento (56′).

A reação do Santa Clara demorou. Demorou e foi diferente do que acontecera na primeira parte, com maiores dificuldades na fase de construção e os movimentos de Lincoln a merecerem outro tipo de atenção. No entanto, e no seguimento de um cruzamento da esquerda, o Sp. Braga perdeu a vantagem que tinha de forma dupla, com Raúl Silva a cometer uma grande penalidade sobre Thiago Santana que seria convertida pelo próprio e a ver o segundo cartão amarelo no jogo (66′), que entrava nos últimos 25 minutos com características diferentes e com Custódio a apostar na velocidade de Galeno para explorar mais a profundidade em vez do jogo no pé de Trincão.

Mesmo reduzido a dez, o Sp. Braga continuou a procurar a vitória, arriscou com a troca de Palhinha por Rui Fonte, teve uma boa oportunidade por Paulinho mas acabou mesmo por perder já em período de descontos, quando Matheus tentou acelerar a reposição em jogo para Esgaio, Lincoln conseguiu a interceção, a jogada continuou a desenrolar-se pelo flanco esquerdo e Carlos Júnior apareceu sozinho na zona da pequena área a empurrar sem hipóteses para o 3-2 que fechou as contas, deixando o Santa Clara com uma posição sólida no oitavo lugar do Campeonato e o Sp. Braga agora com apenas três pontos de avanço em relação ao Sporting no terceiro posto.

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