É sócio praticamente desde que nasceu por influência da mãe, aos quatro anos já tentava ajudar nas coisas mais terrenos possíveis do clube como a marcação do campo com cal ou a tratar os equipamentos, aos sete fazias bolas de algodão com as quais jogava como se estivesse a representar a sua equipa. Pouco depois da adolescência, fazia parte de uma Comissão que organizava autocarros para os jogos fora. Já na casa dos 30, foi por amor para os EUA, onde trabalhou numa fábrica de calçado e numa companhia de pintura, mas continua a ouvir os relatos dos jogos através de rádios (plural, porque partiu pelo menos três devido às interferências que lhe paravam a alegria da semana, como contou ao DN). Voltou em 2001, ano em que o futebol português teve um pequeno milagre e fez capas com uma formação que não os “grandes”. Viu depois a descida. Esteve em mais de mil jogos.

“Foi um milagre o Boavista não acabar. Lutei muito por este clube que vai fazer 110 anos. Antes de o Boavista descer nós corríamos o país todo. Todo. E sentia que o povo estava connosco. Sou católico, mas respeito todas as pessoas e todas as religiões. Ando aí pelas ruas e faço questão de ajudar as pessoas. Seja para subir para o autocarro ou o que for. Uma vez, o Pedroto disse-me: ‘Dá-me um abraço, tu és o homem da paz.’ Faço questão de ser assim. Sou preto e branco. Por dentro e por fora, dos pés à cabeça. Tenho 39 laços e 27 pares de sapatos. Mas respeito os outros independentemente de tudo isso, de todas as cores. Todo o desporto foi feito para ganhar, empatar e perder. Havíamos de entrar para os estádios a rir e sairmos abraçados. Quando isso acontecer não haverá relações cortadas entre clubes, não haverá presidentes a dizer mal uns dos outros e haverá mais crianças no futebol. Ando a dizer isto há anos. É claro que me custa ver o meu clube perder. Mas aceito. Só quando é injusto é que é mais complicado”, escrevia em 2015, num texto publicado na página do Facebook “Porto Olhos nos Olhos”.

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