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A nortada deixou Pepa e Carlos Carvalhal a 16 cm de distância (a crónica do Rio Ave-P. Ferreira) /premium

Num dos melhores jogos da primeira jornada da retoma, o P. Ferreira surpreendeu o Rio Ave em Vila do Conde e aproveitou a forte nortada para vencer (2-3). Equipa de Carvalhal caiu para o 7.º lugar.

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João Amaral marcou o primeiro golo do jogo, num lance onde o vento ajudou (muito) o avançado do P. Ferreira

LUSA

João Amaral marcou o primeiro golo do jogo, num lance onde o vento ajudou (muito) o avançado do P. Ferreira

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Celeste, Sofia, Rita, José, Emília, Lénia, Elisa, Carina, Joana, Margarida e Marta. Este domingo, este era o onze do Rio Ave. Depois de FC Porto e Sporting terem homenageado os profissionais de saúde nesta primeira jornada da retoma da Liga, ao escrever à mão os nomes dos jogadores nas camisolas como médicos e enfermeiros faziam e ainda fazem nos equipamentos de proteção individual, era a vez da equipa de Vila do Conde lembrar os que estiveram e ainda estão na linha da frente do combate à pandemia. Mas o Rio Ave foi ainda mais longe.

Nas camisolas do Rio Ave, ao invés de Tarantini, Lucas Piazon ou Taremi lia-se Elisa, Joana e Marta. E o mesmo, com outros oito nomes diferentes, para todos os outros jogadores. Nas camisolas do Rio Ave, este domingo, estavam então os nomes de profissionais de saúde, médicos, enfermeiros e auxiliares, que durante estes meses têm estado nos hospitais a responder à Covid-19. Uma homenagem que a equipa estendeu, já no relvado do Estádio dos Arcos, aos bombeiros em apoio ao jogo.

Contra o P. Ferreira, em Vila do Conde, o Rio Ave encerrava a jornada inicial da retoma da Primeira Liga. Uma jornada que, com a equipa de Carlos Carvalhal a assistir a partir do sofá desde quarta-feira, tinha sido agridoce: Sporting, Sp. Braga e V. Guimarães perderam pontos mas o Famalicão, com a vitória surpreendente frente ao FC Porto, conquistou três pontos que não estavam previstos nas contas da corrida às competições europeias. Com os novos valores na calculadora, o Rio Ave tinha de ganhar para voltar a ficar à frente de Famalicão e V. Guimarães, recuperar o quinto lugar e encurtar a distância para dois pontos para os leões e cinco para os minhotos.

Mas a meteorologia tinha uma ideia diferente. Ainda antes do apito inicial, era possível perceber qual é que seria o protagonista do jogo: o vento, uma forte nortada que entrava no Estádio dos Arcos, que não tem bancadas laterais, e que iria afetar grande parte das ocorrências da primeira parte. A moeda ao ar ditou que seria o P. Ferreira a disputar a primeira parte a favor do vento e a equipa de Pepa, que arrancava no antepenúltimo lugar da tabela, não precisou de muito tempo para aproveitar. João Amaral bateu um livre a partir da esquerda, aparentemente inofensivo, o vento alterou a trajetória da bola e enganou Kieszek, que estava algo adiantado (11′).

Os pacenses perceberam que teriam de tirar todo o proveito do vento forte durante a primeira parte e começaram a apostar nos remates de longe e nas bolas paradas. Pedrinho esteve perto de assinar o golo da jornada, ao atirar quase do meio-campo para uma defesa enorme de Kieszek (13′), mas o adiantar da vantagem estava reservado para Douglas Tanque no minuto seguinte. Canto na esquerda, Marcelo desviou ao primeiro poste e o avançado brasileiro até teve tempo de se atrapalhar com a bola antes de conseguir encostar para a baliza (14′). Carlos Carvalhal, de cabeça perdida, reagiu ao lançar de imediato jogadores para o aquecimento mas a primeira oportunidade dos vilacondenses só apareceu por intermédio de Tarantini, já depois dos 20 minutos, depois de um bom desequilíbrio de Al Musrati na ala direita (21′).

Depois de uma fase menos organizada de ambas as equipas, com o Rio Ave a ganhar ascendente de forma progressiva, os picos de interesse ficaram resguardados para os últimos instantes do primeiro tempo. Os vilacondenses conseguiram reduzir por intermédio de Diego Lopes, que desviou ao segundo poste depois de um cruzamento de Diogo Figueiras (43′) — num lance que ainda esteve sob revisão do VAR para verificar se a bola tinha ou não saído antes do passe –, e o P. Ferreira ficou reduzido a dez elementos logo no lance seguinte. Tarantini ia entrar na grande área e foi derrubado por Bruno Teles; Tiago Martins, o árbitro da partida, entendeu que o capitão do Rio Ave seguia isolado para a baliza e decidiu expulsar o lateral esquerdo dos pacenses. Na ida para a segunda parte, apesar da vantagem do P. Ferreira, a verdade é que o resultado estava totalmente em aberto — até porque o Rio Ave iria jogar até ao apito final a favor do vento.

Depois do intervalo, para responder à inferioridade numérica, Pepa tirou João Amaral, um avançado, para lançar Bruno Santos, um lateral. Já com menos vento, Rio Ave controlou os desígnios da partida a partir do intervalo, Taremi beneficiou de uma enorme oportunidade mas atirou por cima (47′) e a equipa de Carlos Carvalhal parecia aproximar-se cada vez mais do empate, ao empurrar o P. Ferreira por completo para o próprio meio-campo e obrigar o conjunto de Pepa a compactar os setores e criar duas linhas paralelas à frente da grande área. Num lance quase isolado, porém, foi o récem-entrado Bruno Santos que acabou por brilhar — e deitou por terra os esforços que o Rio Ave vinha a implementar na segunda parte.

O lateral entrou com a bola controlada na área, do lado esquerdo, fintou três adversários com uma elevada nota artística e atirou cruzado para o terceiro golo do P. Ferreira, numa jogada deliciosa que foi a estreia de Bruno Santos a marcar na Liga (52′). Mas o jogo não parava, Carlos Carvalhal reagiu com as entradas de Carlos Mané e Gelson Dala e foi este último, jovem de 23 anos emprestado pelo Sporting, que acabou por relançar novamente o resultado. Num lance de insistência, depois de vários cabeceamentos na área, Ricardo Ribeiro não conseguiu segurar a bola — incomodado pelo próprio colega, o central Marco Baixinho — e Dala empurrou para a baliza do P. Ferreira (58′).

O ímpeto que o Rio Ave conquistou com o segundo golo, e que desequilibrou por completo a partida para o lado da baliza do P. Ferreira, foi ligeiramente refreado ainda antes dos 70 minutos: num lance despropositado, Matheus Reis envolveu-se num confronto com Pedrinho, viu o segundo cartão amarelo e terminou expulso, repondo a igualdade numérica e anulando essa vantagem teórica dos vilacondenses (68′). Até ao fim, os vilacondenses mantiveram o controlo absoluto do jogo, Kieszek foi um mero espectador mas o P. Ferreira segurou a vantagem com um imenso sacrifício — Taremi ainda marcou mas o golo foi anulado pelo VAR por posição irregular do iraniano, que estava 16 centímetros para lá da linha de fora de jogo.

Naquele que foi provavelmente o melhor jogo desta primeira semana de reinício da competição — em que a ideia de que as duas equipas estiveram paradas durante dois meses foi uma memória distante –, o Rio Ave perdeu pela primeira vez em dez jornadas e, mais do que isso, perdeu o quinto lugar, caindo para o sétimo, atrás de Famalicão e V. Guimarães. Quanto ao P. Ferreira, conquistou três pontos importantes, alcançou a terceira vitória nos últimos quatro jogos para o Campeonato e igualou o Marítimo.

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