A associação ambientalista Zero anunciou este domingo cinco prioridades para a sustentabilidade dos oceanos e entre elas destaca a redução do plástico, a proteção de 10% de área marinha e uma melhor escolha no peixe consumido.

A propósito do Dia Mundial dos Oceanos, que se assinala esta segunda-feira, a Zero – Associação Sistema Terrestre Sustentável adianta que, este ano, o mote das Nações Unidas é o da inovação para um Oceano Sustentável e, a esse propósito, num comunicado de imprensa identifica as cinco prioridades para Portugal.

“A conclusão do processo para ter 10 por cento de áreas marinhas protegidas” é uma das cinco prioridades da ZERO que avisa que “Portugal está entre os países que ainda não atingiu” essa percentagem “prevista para 2020, ficando-se por agora nos 7%”.

“Os oceanos enfrentam uma ameaça enorme e crescente pelas mais de oito mil milhões de toneladas de plástico que chegam ao meio marinho a partir de fontes terrestres todos os anos. Tal equivale a despejar um camião de lixo cheio de plástico nos oceanos a cada minuto”, lembra a associação.

“À escala mundial, apenas 9% de todos os resíduos de plástico gerados é reciclado. A reciclagem por si só não é suficiente para resolver a crise do plástico. Precisamos reduzir com urgência a quantidade de plástico descartável produzido, promovendo a sua menor utilização e soluções de reutilização como alternativa”, defende.

Outra prioridade é uma “melhor escolha do peixe que se consome”, uma vez que a ZERO diz que “os portugueses consomem, em média, 61,5 quilogramas de pescado per capita, estando em primeiro lugar na União Europeia e em terceiro a nível mundial, atrás apenas da Coreia e da Noruega”.

“É urgente que as políticas públicas incentivem a pesca sustentável ao mesmo tempo que se sensibiliza a população para a necessidade de integrar nos seus hábitos alimentares pescado de vida mais curta e espécies cujos ‘stocks’ não estejam em sobrepesca”, alerta.

No entender da ZERO, o país “precisa de uma área de emissões controladas no Mediterrâneo e frente a Portugal” uma vez que para as áreas costeiras e cidades portuárias, “os navios são uma importante fonte de poluição do ar” e, por isso, defende a criação de Áreas de Controlo de Emissões no Atlântico (ECA — Emission Control Area) para o enxofre e para o azoto que “estão previstas no Anexo VI da Convenção MARPOR da Organização Marítima Internacional”.

Uma última prioridade diz respeito à poluição dos navios de cruzeiro nas cidades portuárias e, neste sentido, a ZERO “mostra a sua satisfação face ao anúncio efetuado na sexta-feira de que passará a estar disponível para os navios de cruzeiros, a partir de 2022, uma ligação elétrica para funcionamento enquanto estão no porto”.

“Tal decisão, comunicada com dois anos de antecedência, deve ser uma exigência e navios de cruzeiro sem essa capacidade não deverão poder escalar a capital a partir da data em que o sistema estiver instalado”, aponta.

O Dia Mundial dos Oceanos comemora-se desde 1992, no seguimento da Conferência das Nações Unidas sobre Ambiente e Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro.