A federação de sindicatos da construção civil considerou este domingo que “é urgente” uma “estratégia global que defenda a saúde” dos trabalhadores do setor, assinalando que os testes de despistagem à covid-19 “não bastam”.

Em comunicado, a Federação Portuguesa dos Sindicatos da Construção, Cerâmica e Vidro (Feviccom) refere que os trabalhadores da construção civil têm continuado, “na maioria dos casos”, a desempenhar o seu ofício “com total ausência de equipamentos de proteção individual e higiene”, como máscaras, luvas e gel desinfetante.

De acordo com a Feviccom, também não é cumprido o distanciamento físico mínimo, recomendado pelas autoridades de saúde, nas obras e nos transportes privados das empresas.

Para a estrutura sindical, afeta à CGTP-In, os rastreios à covid-19 dos trabalhadores da construção civil “são essenciais, mas não bastam”.

“Exige-se uma estratégia global, que tenha em conta as propostas dos sindicatos do setor, que defenda a saúde dos trabalhadores, que garanta a implementação e manutenção de procedimentos de segurança e de higiene nos locais de trabalho pelas entidades patronais e a defesa do emprego, dos salários e dos direitos”, escreve a Feviccom.

A Federação Portuguesa dos Sindicatos da Construção, Cerâmica e Vidro adianta que pediu “reuniões urgentes” à ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho, à inspetora-geral do Trabalho, Luísa Guimarães, à Direção-Geral da Saúde e à Federação Portuguesa da Indústria da Construção e Obras Públicas (Fepicop).

Representantes dos sindicatos que fazem parte da Feviccom reúnem-se na terça-feira, no Porto, para abordar eventuais “novas ações e medidas a tomar”.

O coordenador regional de Lisboa e Vale do Tejo para o combate à covid-19, Duarte Cordeiro, disse que a Autoridade para as Condições do Trabalho vai reforçar, a partir da próxima semana, a fiscalização no setor da construção civil nos concelhos onde se tem registado maior incidência de casos de infeção.

Segundo Duarte Cordeiro, que também é secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, os “dados preliminares” dos testes de rastreio feitos “em larga escala” na região de Lisboa e Vale do Tejo indicam uma percentagem de infetados na construção civil significativa.

Em Portugal, morreram 1.479 pessoas das 34.693 confirmadas como infetadas, de acordo com o boletim da Direção-Geral da Saúde divulgado este domingo.

Lisboa e Vale do Tejo continua a ser a região do país com mais casos diários de infeção por covid-19, com 75% dos 342 novos casos reportados.

Os cinco concelhos da região com mais infetados são Lisboa, Sintra, Loures, Amadora e Odivelas.

Segundo a ministra da Saúde, Marta Temido, dos 255 novos casos registados na região de Lisboa e Vale do Tejo, 101 provêm da operação de rastreio na Área Metropolitana de Lisboa.

A covid-19 é uma doença respiratória causada por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.