Graça Freitas não tem dúvidas: estão “criadas as condições” necessárias para que os centros comerciais possam reabrir em segurança na região de Lisboa e Vale do Tejo na próxima segunda-feira. Questionada sobre a reabertura das grandes superfícies durante a conferência de imprensa desta terça-feira, a diretora-Geral da Saúde lembrou que “a grande maioria dos casos positivos” de Covid-19 da região estão já identificados e que os centros vão estar sujeitos a regras muito rígidas.

“As autoridade de saúde, as autarquias e as forças de segurança têm trabalhado com estas pessoas [infetadas] no sentido de as fazer entender o risco que podem constituir para a propagação da doença. Cremos que este movimento local, que acontece junto das poopulações, resultará no confinamento do maior número de pessoas infetadas”, declarou, frisando que os centros comerciais vão reabrir “com regras muito estritas de circulação de pessoas”, que Graça Freitas pôde comprar das vezes que circulou por alguns que têm já algumas lojas a funcionar.

“As coisas estão muito bem organizadas, os circuitos estão muito bem delimitados e desde que sejam cumpridos estes fluxos e as entradas e as saídas seja respeitadas para não haver ajuntamentos, não me parece que exista um risco muito grande de propagação da doença”, afirmou.

Por outro lado, a responsável afastou a hipótese de os estádios de futebol voltarem a ter espectadores ainda nesta temporada. Graça Freitas disse que isso não está a ser equacionado:  “Não se perspetiva que haja uma alteração da decisão ao futebol não ter público”, declarou, apontando que a situação em Portugal é idêntica noutros países que também retomaram os eventos desportivos.

“Se testamos mais, é natural que possamos encontrar mais [casos]”

Lisboa e Vale do Tejo voltou a registar o maior número de novos casos de Covid-19 no país (mais de 90%), uma situação que o secretário de Estado da Saúde, António Sales, atribuiu à testagem massiva que tem sido realizada na região, sobretudo junto de funcionários de empresas com risco associado. Até ao momento, foram feitos 14 mil testes, dos quais 12.225 já estão processados, resultando num total de 555 casos de infeção pelo novo coronavírus (4,5% do total, segundo dados preliminares avançados por António Sales).

“Se testamos mais, é natural que possamos encontrar mais [casos]”, afirmou o secretário de Estado da Saúde, justificando assim os valores que a região tem vindo a registar dia após dia.

Boletim DGS. Portugal tem o maior aumento diário de casos dos últimos 32 dias. Lisboa e Vale do Tejo com 91,7% dos novos testes positivos

Apontando que a realização de testes em larga escala foi “uma medida de saúde pública acertada”, António Sales recordou que foi esta iniciativa que permitiu “identificar casos, muitos dos quais assintomáticos, isolar pessoas e, esperamos, quebrar cadeias de transmissão”. A partir de agora, a estratégia das entidades responsáveis será diferente, com foco no seguimento dos casos ativos que estão sob vigilância.

O secretário de Estado lembrou que o novo coronavírus não desapareceu, ainda “circula na comunidade”, e que é por isso necessário” que as pessoas não desvalorizem sintomas ligeiros, continuem a entrar em contacto com o SNS24, que recebe em média 6.500 chamadas por dia, de forma a serem testadas e a cumprirem o isolamento obrigatório evitando contaminar terceiros”.

Foco da Azambuja “está em resolução” e acabará por desaparecer

A diretora-Geral da Saúde garantiu que o foco da Azambuja está, neste momento “em resolução”. Segundo Graça Freias, a maioria dos doentes estão em recuperação e são mais as pessoas que se encontram nesta situação do que aquelas que estão a ser diagnosticadas com Covid-19. “Este foco tenderá a extinguir-se”, disse.

Outra boa notícia avançada durante a conferência de imprensa desta terça-feira diz respeito aos profissionais de saúde — de acordo com António Sales, 75% dos infetados com o novo coronavírus em Portugal já se encontram recuperados. O valor corresponde a 2.727 profissionais. Apenas 25% são casos ativos, disse o secretário de Estado.

Dados da OMS “vão de encontro àquilo que já se pensava”: “A confirmar-se, será uma ótima notícia”

Questionada sobre os dados avançados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) na segunda-feira relativamente aos doentes assintomáticos, que afinal poderão apenas transmitir o vírus muito raramente, Graça Freitas começou por alertar que é preciso “olhar com alguma cautela para os estudos que vão saindo”, acrescentando que os novos dados “vão ao encontro daquilo que se pensava, que as pessoas assintomáticas terão uma menor carga viral, terão menos vírus, e terão elas próprias menos capacidade de transmitir aos outros”.

“A confirmar-se será uma ótima notícia, sobretudo para a próxima onda pandémica”, afirmou a diretora-Geral da Saúde.

OMS afirmou ser “muito raro” que pessoas sem sintomas transmitam o coronavírus. Depois, voltou atrás

A responsável falou ainda sobre a utilização do antiviral remdesivir, depois de Agência Europeia dos Medicamentos ter anunciado que recebeu um pedido de autorização de entrada condicional no mercado da União Europeia do medicamento para tratamento da Covid-19. Graça Fonseca confirmou que o antiviral foi usado em Portugal, em doentes internados num estado grave. “Chama-se utilização compassiva. É pedida uma autorização especial e o medicamento é utilizado em situações excecionais em que a gravidade clínica justifica”, explicou.