O Presidente da República elogiou esta terça-feira o percurso do ator, dramaturgo e encenador Tiago Rodrigues, diretor artístico do Teatro Nacional D. Maria II, descrevendo-o como “de excelência” e marcado por um “empenho político e social”.

Marcelo Rebelo de Sousa fez este elogio na cerimónia de entrega do Prémio Pessoa 2019 a Tiago Rodrigues, que ao contrário do que é habitual, devido à pandemia de covid-19, decorreu em formato restrito, no Palácio da Cidadela, em Cascais, registada e divulgada pela SIC e pelo Expresso.

No seu discurso, o chefe de Estado louvou a forma como “o jovem Tiago Rodrigues tem congregado esforços e ideias com uma ideal central ela própria: que o teatro seja visto como fundamental na vida comunitária”, considerando que “nisso há um empenho político e social – não é neutral, é envolvido, é empenhado em termos políticos”.

“Num momento em que o teatro timidamente vai recomeçar a fazer parte do nosso quotidiano depois de uma longuíssima paragem forçada – porque estes três meses pareceram-nos a todos três décadas – saúdo o gesto lúcido dos jurados do Prémio Pessoa, felicito o jovem premiado e reitero o desejo e a urgência de nos reencontrarmos”, acrescentou.

O Presidente da República, que está no último ano do seu mandato, manifestou a vontade de os dois se reencontrarem “em 2022 num palco inglês” e “antes e depois em palcos portugueses” bem como “em palcos de todo o mundo”, e terminou o seu discurso declarando: “Obrigado, Tiago”.

Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, é apropriado atribuir este “prémio de consagração” a Tiago Rodrigues porque, apesar de ser “ainda tão jovem”, é alguém com “uma carreira já muito rica” e que “deu provas de excelência e de consistência”.

“É um vencedor justo enquanto dramaturgo, enquanto encenador, enquanto programador, mas também justo enquanto ativíssimo agregador de talentos e de vontades”, defendeu.

O Presidente da República enalteceu a sua “conceção abrangente de artes do espetáculo, acolhendo colaborações, parcerias, encomendas, dando literalmente palco a projetos de diversas estéticas e de inúmeras gerações” e disse que a sua obra teatral se tem caracterizado “por um cruzamento de géneros e registos, pelo jogo ousado com os grandes textos e por uma evidente consciência político-social”.

Depois, destacou a sua internacionalização: “Tão novo o que já fez no mundo, o que o mundo o aprecia e o que vai fazer, é impressionante”.

“A internacionalização não é apenas um efeito de moda ou de notoriedade fugaz, mas uma das condições que permitem que determinada expressão artística seja consagrada no estrangeiro e mais valorizada em Portugal. Ora, nós, ao longo dos séculos, tivemos muito poucos dramaturgos portugueses com repercussão internacional. E hoje o mundo do teatro contemporâneo conhece finalmente o trabalho de alguns encenadores, companhias e atores portugueses, e conhece festivais como o de Almada”, salientou.

O Prémio Pessoa é atribuído anualmente, há 33 anos, a uma personalidade nacional que se tenha destacado nas áreas cultural, literária, científica, artística ou jurídica. É uma iniciativa do jornal Expresso, com o patrocínio da Caixa Geral de Depósitos (CGD), e tem atualmente o valor monetário de 60 mil euros.