O PSD da ilha Terceira acusou esta terça-feira o Governo Regional dos Açores de não cumprir as promessas feitas para esta legislatura, que deverá terminar em outubro, alegando haver em média uma demora de “mais de uma década” para implementá-las.

“Não podemos ignorar os investimentos anunciados pela propaganda socialista, que levam, em média, mais de uma década até que sejam concretizados na ilha Terceira. E agora seriam peças fulcrais na criação de emprego e geração de riqueza”, afirmou a vice-presidente da Comissão Política de Ilha do PSD na Terceira Mónica Seidi.

Segundo a também deputada regional social-democrata, muitos dos investimentos previstos já não vão a tempo de serem concretizados nesta legislatura, como a implementação de um posto de abastecimento de gás natural liquefeito (GNL) no Porto da Praia da Vitória.

“Já percebemos que esse projeto não vai avançar, embora o Governo Regional não o queira assumir e a prova disso é que só agora no Orçamento do Estado para 2020 é que o Partido Socialista na República inscreveu uma rubrica para que fosse feito um estudo de viabilidade económica relativamente a este projeto”, frisou.

Mónica Seidi acusou o executivo açoriano socialista de não ter “coragem política” para dizer “que nada será feito”, numa altura em que já se começa a discutir a possibilidade de o GNL ser “substituído por outro tipo de material”.

Segundo o PSD/Terceira, o eixo Porto da Praia da Vitória-Base das Lajes tem um potencial enorme no desenvolvimento da economia da ilha, mas nem Governo Regional, nem Governo da República se querem comprometer com o desenvolvimento de novas valências associadas a estas duas infraestruturas.

“Até hoje não sabemos qual é o papel e a importância que o PS quer dar ao Porto da Praia, inserida obviamente numa estratégia de desenvolvimento regional. Há um silêncio comprometedor entre Governo da República e Governo Regional que prejudica a ilha Terceira”, sublinhou Mónica Seidi.

A dirigente social-democrata considerou, por outro lado, “inqualificável” que os orçamentos da região não tenham ainda integrado verbas para a criação de um cais de cruzeiros na Praia da Vitória, depois de ter sido aprovada por unanimidade, em 2018, uma proposta do PSD nesse sentido.

Segundo Mónica Seidi, a Portos dos Açores, empresa que gere os portos da região, tem um estudo que aponta quatro possíveis localizações para o projeto, anunciado em 2014, mas quem governa “não teve a coragem de decidir”.

Ainda em matéria de infraestruturas portuárias, a deputada criticou o atraso nas obras de ampliação e dinamização do Porto das Pipas, em Angra do Heroísmo, prometidas “desde 2008” e “sucessivamente adiadas”.

Os social-democratas da ilha Terceira salientaram, por outro lado, que “10 mil utentes” do concelho de Angra do Heroísmo continuam sem médico de família, quando tinha sido prometida a cobertura total do arquipélago em 2016.

Reivindicaram ainda a instalação de um serviço de radioterapia no Hospital de Santo Espírito da Ilha Terceira e a criação de uma segunda equipa de evacuações médicas na unidade.

“Não é um capricho do PSD, é uma necessidade fruto da nossa condição arquipelágica. E é falso que a criação da mesma dependa do número total de evacuações que são realizadas anualmente, porque como sabem estamos a falar, na maior parte das vezes, de situações imprevisíveis. Tem-nos valido o amor à camisola dos elementos que constituem esta equipa”, salientou Mónica Seidi, que é também médica.