A associação ambientalista Zero divulgou esta terça-feira dados, citando números oficiais, segundo os quais em 2018 apenas foram recicladas 15% das embalagens de plástico nos resíduos urbanos.

Em fevereiro passado a associação já tinha dito que Portugal só tinha reciclado 12% do plástico dos resíduos urbanos, ou seja só 72 mil toneladas de um total de 600 mil toneladas.

Na altura o ministro do Ambiente e Ação Climática, João Pedro Matos Fernandes, respondeu que os dados de 2018 indicavam que 44% dessas embalagens tinham sido recolhidas para reciclagem.

“Em 2018 foram introduzidas 163 mil toneladas de embalagens de plástico no mercado. Dessas foram recolhidas para reciclagem 72 mil toneladas, dá 44%, esse é o valor que temos para 2018”, disse João Pedro Matos Fernandes.

Esta terça-feira, num novo comunicado, a Zero diz que os dados oficiais, da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), lhe dão razão.

“Com efeito, segundo dados fornecidos pela APA à Zero, em 2018 foram parar aos resíduos das nossas casas 478 mil toneladas de embalagens de plástico, das quais, de acordo com a Sociedade Ponto Verde , apenas 72 mil foram recicladas, o que corresponde a uma taxa de reciclagem de 15%”, escreve a associação no documento.

E acrescenta que em fevereiro pediu esclarecimentos ao Ministério mas que ainda não recebeu resposta.

“A Zero espera que o Ministério, se porventura responder a esta carta, não venha de novo repetir que só existem 163 mil toneladas de embalagens de plástico nos resíduos urbanos e dizer que a diferença para as 478 mil é devida a materiais que estão incrustados nos plásticos quando se faz a caracterização dos resíduos urbanos”, diz-se também no comunicado.

A associação acrescenta que é “muito positiva” a decisão da secretária de Estado do Ambiente (Inês dos Santos Costa), que em conjunto com o secretário de Estado da Economia (João Neves), emitiu um despacho em que dá até setembro para as entidades gestoras das embalagens fazerem um estudo aprofundado sobre a quantidade de embalagens existentes nos resíduos urbanos.

E explica que na carta enviada à Zero a APA “confirma a existência de muito mais embalagens de plástico nos resíduos urbanos (478 mil toneladas) do que as que foram publicamente referidas pelo ministro (168 mil toneladas) e que indicavam que as embalagens de plástico eram apenas 3% dos resíduos das nossas casas, o que não faz sentido”.

Na análise da composição dos resíduos urbanos fornecida pela APA a Zero diz que as embalagens de plástico correspondem a 9,2% do peso desses resíduos, o que significa que são as 478 mil toneladas, tendo em conta que a produção nacional de resíduos urbanos em 2018 foi de 5,2 milhões de toneladas.