Sete das 13 pessoas, que estavam no centro ilegal de apoio a carenciados, em Arroios, Lisboa, que foi alvo de um despejo, vão ser realojadas em quartos ou espaços de acolhimento, disse à Lusa fonte da autarquia.

“Sete das 13 pessoas que estavam no centro em Arroios vão ficar realojadas em quartos ou centros de acolhimento, uma solução encontrada pela câmara em conjunto com a Santa Casa da Misericórdia após uma reunião onde estiveram presentes também voluntários do centro e algumas das pessoas que estavam lá alojadas”, disse à Lusa fonte do gabinete do vereador da Câmara Municipal de Lisboa com o pelouro dos Direitos Sociais, Manuel Grilo (BE).

De acordo com a mesma fonte, a autarquia e a Santa Casa da Misericórdia ainda estão a tentar arranjar uma solução para as restantes seis pessoas.

Na segunda-feira, várias pessoas ficaram feridas, incluindo três agentes da PSP, na sequência de uma tentativa de entrada num centro de apoio para carenciados, em Arroios, Lisboa, criado por um grupo de pessoas que ocupou um antigo infantário abandonado e que foi alvo de despejo na madrugada de segunda-feira.

Na sequência desta situação, a bancada do PS na Assembleia Municipal de Lisboa avançou esta terça-feira que vai pedir esclarecimentos ao vereador Manuel Grilo sobre o centro de apoio para carenciados.

Em declarações esta terça-feira à agência Lusa, o líder da bancada do PS na Assembleia Municipal, Manuel Lage, disse que vai pedir para que Manuel Grilo seja ouvido na sexta comissão permanente para prestar esclarecimentos sobre “o que sabe e os comentários que foi proferindo ao longo do dia” no que diz respeito ao centro ilegal em Arroios.

Também os vereadores o CDS-PP na Câmara de Lisboa acusaram hoje o vereador Manuel Grilo de defender a ocupação ilegal de um edifício para apoiar carenciados, classificando a sua posição como “inaceitável e inadmissível”.

Num texto que publicou na sua página de Facebook, o vereador Manuel Grilo disse que a “Câmara [de Lisboa], nomeadamente os pelouros com responsabilidade no licenciamento urbanístico, não respondeu aos seus e-mails e os proprietários só responderam agora, com uma milícia armada e com um empreiteiro para emparedar o prédio que nunca quiseram recuperar”.

A ação dos proprietários roça a ilegalidade e a polícia não pode ser conivente com milícias privadas. Só vamos vencer esta crise social da Covid-19 com apoio mútuo e quem se mobilizou para apoiar quem mais precisa não pode ser ameaçado desta maneira”.

Questionado sobre as críticas e pedidos de esclarecimento do PS e CDS, fonte do gabinete de Manuel Grilo escusou-se a prestar esclarecimentos por não ter conhecimento formal das mesmas, remetendo explicações para mais tarde.

Cerca de uma dezena de seguranças privados entraram às 05:00 de segunda-feira naquele centro de apoio para carenciados, para tentar despejar as pessoas que ali se encontravam, porque o espaço foi ocupado ilegalmente.

Ao final da tarde, várias pessoas ficaram feridas, incluindo três agentes da PSP, na sequência de uma tentativa de entrada no centro de apoio a carenciados.

Segundo uma nota da PSP, “após uma demorada negociação, os ocupantes acabaram por abandonar voluntariamente os imóveis e de seguida restituída a posse ao seu legítimo proprietário”.

Quando ocuparam o espaço, os voluntários não sabiam quem eram os proprietários do imóvel, mas mais tarde descobriram que foi vendido a uma empresa de imobiliário e depois em parcelas a três pessoas que vivem no estrangeiro.

Os voluntários enviaram correios eletrónicos a várias entidades, entre as quais a Câmara Municipal de Lisboa e a PSP, a informar que iriam ocupar o espaço e os motivos.