A Comissão Europeia apoia a rede social Twitter na atuação perante publicações falsas ou de incitação ao ódio do Presidente norte-americano, Donald Trump, esperando que outras plataformas sigam o exemplo e promovam a verificação de factos difundidos ‘online’.

“Decidi apoiar a reação do Twitter às publicações do presidente Trump. Eles não apagaram as publicações, que ainda continuam disponíveis, mas promoveram a verificação dos factos”, disse a vice-presidente da Comissão Europeia com a pasta dos Valores e Transparência, Vera Jourová.

Falando com um grupo de jornalistas em Bruxelas, incluindo a agência Lusa, a propósito da comunicação hoje adotada pelo colégio de comissários sobre desinformação, a responsável abordou esta atuação do Twitter, manifestando o seu apoio por “eles terem feito uma análise aos factos sem remover qualquer mensagem”.

“Na verdade, eles adicionaram uma nova mensagem e acabou por ser quase um concurso de mensagens”, observou Vera Jourová.

Rejeitando “prescrever o que as plataformas têm de fazer”, a vice-presidente do executivo comunitário defendeu antes uma “escolha mais ampla para os cidadãos”.

“Quando abro uma página na internet ou uma plataforma não quero apenas ser confrontada com uma escolha. É melhor haver mais escolhas e é por isso que apoio a verificação dos factos, que foi o elemento principal da ação do Twitter”, justificou a responsável.

Acresce que “quando nós, dirigentes políticos, dizemos alguma coisa, temos de ser cautelosos e temos de lidar com análises à informação que divulgamos”, vincou Vera Jourová.

Ainda assim, a responsável admitiu que “não gostaria que elas [estas plataformas digitais] atuassem como árbitros da verdade”.

“Não devem ter mais poder do que aquele que já têm”, sustentou Vera Jourová, convidando antes as ‘gigantes’ tecnológicas a “trabalhar mais com os verificadores de factos”.

No final de maio, a rede social Twitter colocou, pela primeira vez, a menção “verificar os factos” em dois ‘tweets’ (publicações) do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Nas mensagens em questão, Donald Trump afirmava que o voto por correspondência é “fraudulento” e que “as caixas de correio serão assaltadas”.

Esta foi a primeira vez que o Twitter apontou o dedo ao Presidente dos Estados Unidos, num contexto em que as redes sociais têm sido acusadas de serem permissivas no tratamento das mensagens de dirigentes políticos.

Aos dois ‘tweets’ do Presidente dos Estados Unidos foi acrescentado um ‘link’ para um artigo intitulado “Factos acerca dos boletins de voto por correspondência”, dirigindo os utilizadores para uma página com verificação de factos e artigos sobre as declarações sem fundamento de Donald Trump.

Dias depois, o Twitter assinalou como incitação à violência uma mensagem difundida pelo Presidente dos Estados Unidos, em que Donald Trump ameaçou disparar contra as pessoas envolvidas nos protestos de Minneapolis, após a morte do afro-americano George Floyd por violência policial.

Na publicação, Donald Trump chamou “bandidos” às pessoas envolvidas nos protestos de Minneapolis contra a morte do afro-americano sob custódia policial, ameaçando que “quando as pilhagens começarem, os tiros vão começar”.

Já no início de junho, outra plataforma, o Facebook, anunciou que removeu das suas plataformas várias contas com ligações a grupos de extrema-direita que planeavam infiltrar-se nos protestos contra a violência policial nos Estados Unidos.