Houve muitas perguntas, mas Centeno, o ainda Ronaldo das Finanças, driblou-as. Disse apenas que o timing e as razões porque esta transição foi feita agora se deveu apenas a ser o momento da apresentação do Orçamento suplementar e recusou  a críticas dos que o acusam de sair do Governo neste momento difícil. O pedido de exoneração, que já era esperado, acontece, aliás, dois dias antes do ministro das Finanças ter de formalizar uma decisão sobre uma eventual recandidatura à presidência do Eurogrupo.

“Posso acrescentar que vou continuar a cumprir a função como presidente do Eurogrupo até meados de julho e não vou assumir o cargo de deputado no Parlamento português na segunda-feira”, disse. Mas não quis avançar nada sobre quem Portugal irá apoiar para o cargo europeu.

A pergunta sobre o momento da saída e da remodelação foi direta: “Por que razão escolheu o dia de hoje, em que é apresentado o Orçamento Suplementar, para sair do cargo de ministro das Finanças”. Ou seja, por que razão não vai defender esta proposta no parlamento? Centeno primeiro disse que o “primeiro-ministro já tinha respondido à questão. Mas depois ligou o timing precisamente à apresentação do Orçamento suplementar. “Hoje apresentamos um Orçamento suplementar que tive oportunidade de preparar com a minha equipa. É um momento importante em que Portugal mostra o seu grau de preparação para responder aos desafios colocados”. E destacou a importância que o governo dá à continuidade da sua política orçamental.

“A escolha [de João Leão] faz jus a esse princípio”, disse Centeno, acrescentando que se trata de uma “transição tranquila de um governo que se preparou na legislativa anterior e nesta para governar”.

“Foi implementado um programa económico, financeiro e orçamental que tem previsivilidade, que promove a estabilidade. Não dá passos maiores do que a perna, como se costuma dizer. A transição que hoje ocorre é feita de tudo isto. E acontece precisamente no dia em que apresentamos o Orçamento”.