Bad boys, bad boys, whatcha gonna do, whatcha gonna do when they come for you“. Desde 1989 que o tema de Bob Marley lançava “Cops“, o reality show que tinha como protagonistas as forças policiais norte-americanas – ao longo dos 30 minutos de cada episódio era mostrada a coragem e a conduta irrepreensível dos agentes policiais enquanto interpelavam, perseguiam e, normalmente, prendiam suspeitos dos mais variados crimes. O caso da detenção que culminou com a morte de George Floyd, e provocou os protestos contra a violência policial nos EUA, levaram a estação televisiva que vinha comprando as sucessivas temporadas de “Cops” a informar que não tem planos de voltar a transmitir a série.

A Fox Network foi a primeira estação televisiva a transmitir “Cops”, em 1989 – uma série que também foi transmitida na televisão portuguesa, em canais de cabo. Foi na Fox que Cops passou até 2013, passando depois disso para a Paramount Network (que se chamava Spike TV, na altura). No calor dos protestos, esta terça-feira, a estação televisiva emitiu um comunicado onde indica que “Cops não está, neste momento, da Paramount Network e não temos quaisquer planos atuais ou futuros de fazer regressar a série“.

Embora sempre evidenciando casos em que a polícia agia no total respeito das regras. o que não terá acontecido na morte de George Floyd, a série foi nos últimos anos acusada de glorificar a agressividade policial e lucrar à conta de crimes, dos seus autores e das suas vítimas. Segundo o The Guardian, que cita o podcast Running from Cops, os suspeitos eram, muitas vezes, coagidos a assinarem as autorizações legais necessárias para que as imagens das suas detenções fossem passadas na televisão.

O sucesso de Cops, uma das séries que duravam há mais tempo na televisão norte-americana, originou vários reality shows semelhantes, tais como o Live PD – que continua a ser transmitido pelo canal A&E. O The Guardian recorda o caso de um homem negro, Javier Ambler, que foi imobilizado pela polícia com recurso a arma-taser, em março de 2019, quando as câmaras da Live PD estavam a filmar.

Documentos da polícia revelados mais de um ano depois mostram que o carteiro, que tinha dois filhos e sofria de problemas cardíacos, acabou por morrer porque os quatro “tiros” da taser lhe provocaram falência cardio-respiratória. Tal como George Floyd, Javier Ambler terá pedido ajuda dizendo que não conseguia respirar.