O embaixador de Portugal na Venezuela, Carlos de Sousa Amaro, lamentou esta quarta-feira que a “traiçoeira” pandemia da Covid-19 o tenha impedido de celebrar o Dia de Portugal junto da comunidade portuguesa que vive distante da cidade de Caracas.

“Em 2020, um inimigo desconhecido, traiçoeiro e microscópico fez com que não possamos festejar com o calor humano que também nos define”, explica o diplomata, numa mensagem em vídeo enviada hoje aos clubes lusos e distribuída através das redes sociais.

A título de exemplo, indica que ficou “impedido de invocar e celebrar a data com a comunidade portuguesa de um estado mais distante”, como tem feito ao longo dos últimos anos.

“E, teremos de adiar a visita aos 23 estados da Venezuela que vínhamos preparando com afinco”, afirma, acrescentando: “No entanto, ao longo da nossa história superamos desafios maiores do que este e mais uma vez em Portugal e na diáspora venceremos”.

“Sei que em 2021 estaremos mais próximos, mas o fervor e o orgulho de ser português é o mesmo de sempre ainda que há distância”, afirma.

Carlos de Sousa Amaro começa a sua mensagem recordando que está orgulhoso de “poder render homenagem aos verdadeiros promotores de Portugal e da nossa cultura no mundo, os portugueses da diáspora, e, neste caso, a vigorosa comunidade portuguesa residente na Venezuela”, em ocasião do Dia de Portugal e das Comunidades Portuguesas.

“Este é um dia em que celebramos uma pátria, com pouco menos de 900 anos de independência, uma cultura tão única, que fez de um dos próceres, de Luís Vaz de Camões, o nosso herói nacional, e um povo de navegantes exploradores, que nunca renunciaram a um desafio por muito grande que este se figurasse”, afirma.

A Venezuela tem 2.632 casos confirmados e 23 mortes associadas à Covid-19, tendo 487 pessoas recuperado da doença.

Após flexibilizar durante uma semana a quarentena social preventiva, a Venezuela iniciou segunda-feira um período de “sete dias de quarentena rigorosa” devido ao considerável aumento de casos confirmados e de mortos, que há duas semanas era de 1.010 casos e 10 mortos.

As autoridades locais estão a alertar que em Maracaibo, no estado venezuelano de Zúlia (a 700 quilómetros a oeste de Caracas), os testes revelaram a possível presença de um “coronavírus mais agressivo”.

A Venezuela está desde 13 de março sob estado de alerta, o que permite ao executivo decretar “decisões drásticas” para combater a pandemia de Covid-19.

Os voos nacionais e internacionais estão restringidos, com exceção dos humanitários, e a população está em quarentena e impedida de circular livremente entre os vários Estados do país, desde 16 de março.

A pandemia de Covid-19 já provocou mais de 412 mil mortos e infetou quase 7,3 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo o balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 1.497 pessoas das 35.600 confirmadas como infetadas, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.