O Governo de Boris Johnson prepara-se para anunciar em breve uma série de medidas que perseguem um duplo objectivo. Por um lado, incentivar a venda de veículos 100% eléctricos, ou seja, com emissões zero, de forma a melhorar a qualidade do ar que se respira nas principais cidades, a começar por Londres. Por outro, agradar aos construtores que ainda mantêm as suas linhas de produção em Inglaterra, estimulando as suas vendas e, com isso, convencendo-os a ficar.

A decisão mais importante inclui o incentivo, a cada comprador de um veículo eléctrico, alimentado por bateria ou através de fuel cells, de 6000 libras, o equivalente a 6723€. Com isto, o Reino Unido quer demonstrar à Nissan, Jaguar Land Rover e BMW, os fabricantes mais importantes em termos de instalações fabris, que está na disposição de ajudar a mantê-los abertos e a funcionar em pleno, para assegurar a sua viabilidade.

Alemanha incentiva venda de carros. Mas eléctricos

A Nissan fabrica o Leaf em Inglaterra, da mesma forma que a Mini produz o Cooper SE, igualmente alimentado por bateria, no Reino Unido. Com a Jaguar a conversa é outra, uma vez que o seu único eléctrico é fabricado na Áustria, pela Magna, mas tudo indica que poderá deslocar-se para “casa”, assim que se iniciar a construção do segundo eléctrico da Jaguar, o futuro XJ.

Com este piscar de olho aos fabricantes de carros eléctricos, Johnson pretende ainda convencer a Renault, que controla 43,4% da Nissan, a utilizar a capacidade excedentária da fábrica que os japoneses possuem em Sunderland. Se não para o Zoe, pelo menos para o futuro SUV eléctrico com as dimensões do Qashqai. Porém, para que tal se venha a transformar em realidade, o Governo inglês vai ter de contar com a oposição do seu homólogo francês, também ele interessado em manter no país a riqueza criada pelos seus construtores.

França. Subsídios para compra de carros eléctricos atingem 12.000€

Depois de ter anunciado em Fevereiro o fim da comercialização de carros com motor a combustão no Reino Unido a partir de 2035, não faria muito sentido estar a incentivar a venda de outro tipo de veículos, que não os eléctricos. Foi também este o motivo que esteve por detrás da decisão de investir mais de 1000 milhões de libras (cerca de 1,12 mil milhões de euros) em postos de carga.