Em Espanha, num momento que ecoou pelo resto da Europa, uma das notícias da quarentena foi o fim da carreira de Aritz Aduriz. O avançado do Athl. Bilbao, que completou 39 anos no passado mês de fevereiro, decidiu terminar a carreira antes do final da temporada devido à inevitabilidade de uma operação à anca e antes da final da Taça do Rei que seria o palco perfeito para pendurar as botas. E esta quinta-feira, no dia em que a liga espanhola regressou depois de mais de dois meses de paragem, Aduriz decidiu lembrar outro avançado que também nasceu em 1981 e que com a sua reforma ficou com o título de jogador mais velho a atuar no principal escalão em Espanha.

“De um avô a um jovem. Deixo-te o testemunho na liga, quem melhor do que tu. Desfruta de cada minuto e que nós também o façamos contigo. Oxalá continues a melhorar a pontaria e as piadas. Muita sorte no dérbi!”, escreveu Aduriz a Joaquín no Instagram, numa provocação ao capitão do Betis que complementava uma fotografia de um abraço entre os dois. Esta quinta-feira, num Sánchez Pizjuán vazio, o Sevilha recebia o Betis naquele que é habitualmente um dos dérbis mais fervorosos do futebol espanhol e que também marcava o recomeço da liga, quase três meses depois da paragem. E Joaquín começava no banco.

Com Rony Lopes, do Sevilha, e William Carvalho, do Betis, ambos também enquanto suplentes, Lopetegui e Rubi defrontavam-se em situações bastante diferentes na classificação. Se o Sevilha é terceiro, logo atrás de Barcelona e Real Madrid, e tem como objetivo a qualificação direta para a fase de grupos da Liga dos Campeões da próxima temporada, o Betis é 12.º e está apenas oito pontos acima da zona de despromoção. Diferenças que, ainda assim, eram anuladas depois de meses de interrupção, sem qualquer adepto nas bancadas e com as fragilidades físicas que já têm sido protagonistas de vários jogos nos países onde o futebol já recomeçou.

Numa primeira parte em que o Sevilha foi superior mas não conseguiu materializar essa diferença no resultado, sobraram poucos lances de perigo para os highlights da transmissão. Ocampos, com um remate fortíssimo que esbarrou na junção entre o poste e a trave da baliza do Betis (10′), foi mesmo o único a aproximar-se do golo, com as duas equipas a saírem para o intervalo com o marcador a zeros e a noção de que existia pouco espaço para inventar oportunidades. Se o Betis tinha como prioridade defender, ciente de que a qualidade de Óliver, Munir e Ocampos é capaz de fazer muitos estragos, o Sevilha não estava a saber ultrapassar a muralha adversária para explorar as costas da defesa.

Os primeiros minutos da segunda parte trouxeram a mesma dinâmica do primeiro tempo, com as duas equipas muito encaixadas nos respetivos sistemas táticos e a permitirem poucos espaços mutuamente. Ainda assim, mantinha-se o ascendente da equipa de Lopetegui, que só conseguiu desbloquear o marcador por intermédio de uma grande penalidade. Bartra fez falta sobre De Jong no interior da grande área e, na conversão do penálti, Ocampos não falhou (56′). Num jogo que, para além das cinco substituições, contou com pausas para hidratação, devido ao calor que se faz sentir em Espanha e à paragem prolongadas dos atletas, o segundo golo do Sevilho chegou apenas seis minutos depois do primeiro e através de um antigo jogador do FC Porto.

Canto batido na direita, desvio brilhante de calcanhar de Ocampos ao primeiro poste e Fernando apareceu na pequena área a cabecear para aumentar a vantagem (62′). O médio brasileiro, que realizou uma exibição muito sólida no meio-campo da equipa de Lopetegui, foi um dos jogadores que beneficiou da paragem provocada pela pandemia para ainda competir esta temporada, já que se tinha lesionado gravemente antes da interrupção e dificilmente, numa situação normal, tinha voltado aos relvados esta época.

Até ao fim, entre as dez substituições permitidas (sem que Rony Lopes e William tenham entrado) e uma quebra de ritmo evidente, já pouco se jogou de forma efetiva no Sánchez Pizjuán. Ocampos acabou por sair a 20 minutos do fim, o Betis fez o primeiro remate enquadrado já perto dos 80 minutos e o resultado não voltou a alterar-se. O Sevilha venceu, mantendo a série de jogos consecutivos sem perder para a Liga que transportava desde março (são já cinco), e o Betis perdeu depois de ter derrotado o Real Madrid na última partida antes da paragem. E no regresso aos campos, de forma quase premonitória, o melhor jogador em campo foi Ocampos, o avançado argentino que fez a maioria dos remates do Sevilha, marcou o primeiro golo e assistiu de forma brilhante para o segundo.