Ativistas da organização não governamental Rio de Paz cavaram 100 sepulturas, com cruzes negras, na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, Brasil, na quinta-feira, como protesto contra a resposta do Presidente brasileiro à pandemia da Covid-19 e em memória dos mais de 40 mil mortos no país. Segundo a Reuters, houve, no entanto, quem estivesse contra o protesto e desenterrasse as cruzes colocadas pelos ativistas.

“O presidente não percebeu que esta é uma das crises mais dramáticas da história do Brasil. As famílias estão de luto por milhares de mortos, e há desemprego e fome”, disse o organizador António Carlos Costa à Reuters, criticando a falta de solidariedade de Jair Bolsonaro.

Segundo o organizador, nem todos concordaram com a manifestação: um homem começou a desenterrar as cruzes enquanto gritava contra o tributo. Outro homem, cujo filho de 25 anos morreu devido à Covid-19, voltou a enterrar as cruzes caídas.

“Eles [os que são contra as cruzes cravadas na praia] sentem tanta raiva – e acho que estão a reproduzir o comportamento da pessoa que está a ocupar a posição mais alta no país”, disse ainda António Carlos Costa, citado pela BBC.

Segundo os dados mais recentes, anunciados na quinta-feira, o Brasil registou até ao momento 802.828 infetados e 40.919 mortos. Brasil é o segundo país no mundo com o maior número de casos, sendo superado apenas pelos Estados Unidos.