Ainda que em regime de pós-confinamento, não resistimos à possibilidade de conduzir em Portugal a mais recente proposta da Seat. Se os SUV são os carros da moda, devemos confessar que as berlinas (e até mesmo as carrinhas) são o tipo de veículo que mais nos agrada, pois se perdem algo em versatilidade, ganham e muito em agilidade, conforto e comportamento. Já para não falar das vantagens, para a carteira e para o ambiente, ao serem mais leves e aerodinâmicas.

O novo Leon é um modelo determinante para a Seat, pois só assim se explica que o fabricante espanhol do Grupo Volkswagen tenha investido 1,1 mil milhões na mais recente geração do veículo, que se bate no segmento mais importante do mercado europeu. A estética é nova e mais apurada, com a nova frente a revelar-se mais apelativa, fruto da grelha e dos faróis mais rasgados, sendo a traseira mais trabalhada e com os dois farolins em LED ligados por um elemento horizontal com a mesma tecnologia. Mas sobre o modelo, das dimensões às características, pode ler tudo o que apurámos aqui:

Novo Leon surpreende a vários níveis. Veja aqui porquê

Em cidade, para começar

A versão que nos foi confiada do novo Leon é também a mais sofisticada e uma das mais onerosas, com o nível de equipamento FR, o mais desportivo e com o motor 1.5 eTSI, um mild hybrid a gasolina que fornece 150 cv. Os primeiros quilómetros foram percorridos em meio urbano, para colocar à prova a unidade de quatro cilindros a gasolina, com 1,5 litros de capacidade, que recorre a um turbocompressor para elevar a potência.

Este 1.5 eTSI figura entre os motores a gasolina mais avançados do grupo alemão, em que foram desenvolvidos esforços para reduzir as perdas por fricção e optimizar os consumos. Daí que, além dos 150 cv, forneça uma força de 250 Nm, que não anda longe do binário do motor diesel 2.0 TDI de 115 cv (300 Nm), com a vantagem do eTSI manter este valor inalterado entre as 1500 e as 35000 rpm. E isto nota-se ao volante, pois não só o turbo lag é praticamente inexistente, como é possível circular em mudanças altas a baixa velocidade, o que é bom para os consumos.

O start&stop, ajudado pelo motor eléctrico mais potente do sistema mild hybrid a 48V, coloca o motor em funcionamento mais depressa e com menos vibrações, para depois ajudar, ainda que ligeiramente, sempre que se acelera. Além do motor 1.5 eTSI ser substancialmente mais silencioso do que as versões a gasóleo, tem ainda a capacidade de se desligar quando se desacelera em plano ou ligeiramente a descer, sem que o veículo fique sem travões ou sem energia eléctrica, cortesia, mais uma vez, do sistema a 48V mild hybrid, ou híbrido ligeiro.

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A versão FR inclui de série um invejável conjunto de equipamento, com destaque para o Seat Drive Profile, que oferece ao condutor a possibilidade de optar por um dos cinco modos de condução. Para rodar em cidade, escolhemos a versão Eco, que nos pareceu a melhor para o consumo, mas também para o conforto, ao actuar sobre a dureza das suspensões através do Dynamic Chassis Control, e sobre a suavidade da caixa de velocidades, a DSG de dupla embraiagem e sete velocidades.

Após quase uma hora a circular na cidade, sem grandes preocupações com o consumo mas mantendo um ritmo respeitador, o Leon fixou o consumo médio nos 5,4 litros, um bom valor, que seria possível baixar se adoptássemos uma toada mais calma. Mas que também poderia subir, caso pressionássemos de forma mais decidida o acelerador.

Em estrada com as ajudas à condução

Trocada a circulação em cidade por uma mais desafogada, em auto-estrada, o Seat Leon revelou outra faceta, tanto mais que optámos pelo modo de condução Sport, mais ajustado à situação. A suspensão fica mais dura e a carroçaria adorna menos, duas características que se agradecem, com o Leon equipado com o eTSI de 150 cv a reivindicar os 0-100 km/h em 8,4 segundos, uma capacidade de aceleração compatível com o que sentimos ao volante. Já em relação aos 221 km/h anunciados como velocidade máxima, preferimos optar por acreditar nos valores oficiais do construtor.

A circular em auto-estrada, a caixa DSG com sete relações permite sacrificar a sétima velocidade e torná-la mais longa, reduzindo assim o ruído, o consumo e, por tabela, as emissões. A 120 km/h, o motor ronrona às 2300 rpm e mesmo que o condutor se desloque na Alemanha, num dos muitos troços sem limite de velocidade, os 221 km/h apenas obrigam o 1.5 eTSI a girar às 4300 rpm, pouco para uma unidade que passa alegremente das 6000 rpm.

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A auto-estrada serviu de palco para colocar à prova o muito equipamento proporcionado pelo novo Leon, que é muito provavelmente o modelo mais apetrechado da Seat, tanto nas soluções viradas para o conforto, como naquelas que visam ajudar quem está aos comandos. Tivemos oportunidade de ensaiar o sistema de manutenção da faixa de rodagem, o alerta de de ângulo morto (que agora tem o avisador luminoso deslocado para o painel da porta, em vez do retrovisor exterior, sendo por isso mais visível) e o controlo automático de distância, que mantém a distância de segurança para o carro da frente, travando para evitar um acidente caso o condutor vá distraído.

Leon melhor do que Golf?

No Grupo Volkswagen não se brinca em serviço e o “respeitinho” pela marca principal do consórcio, tanto que até lhe dá nome, é total. Outra coisa não seria de esperar, pois dos 10 milhões de unidades que o grupo vende, mais de seis têm emblema Volkswagen. Contudo, não me lembro da última vez que foi permitido à Seat colocar no mercado um modelo com tantos trunfos e tão próximo do chefe de fila, o Golf, como este Leon.

O construtor espanhol pode conceber o seu Leon recorrendo à mesma plataforma, às mesmas mecânicas – a gasolina, diesel, mild hybrid e híbrida plug-in, que chegará mais tarde – e até ao mesmo tipo de equipamento. Como se isto não bastasse, a Seat elevou a fasquia no que respeita à qualidade dos materiais, não parecendo perder para o seu irmão alemão, oferecendo ainda um veículo que, sendo do mesmo segmento, é 8 cm mais comprido e com mais 5 cm na distância entre eixos, mantendo uma certa vantagem em termos de preço.

A versão que pudemos conduzir do novo Leon, a 1.5 eTSI FR com caixa DSG7, é a mais cara de momento, entre as que recorrem a motor a gasolina, à venda por 33.227€. Contudo, o facto de ser mild hybrid confere-lhe algumas vantagens fiscais, que atenuam o esforço, além de lhe permitir consumos interessantes graças ao sistema a 48V. Se procura outras motorizações, saiba que o motor a gasolina mais acessível é proposto por 24.907€ (Leon 1.0 TSI Reference com 110 cv e caixa manual 6V), enquanto a mecânica a gasóleo mais em conta é comercializada por 29.497€ (2.0 TDI Style com 115 cv e caixa manual 6V).