Mais de 200 pessoas, entre os quais representantes de 50 bares, pediram esta sexta-feira ao primeiro-ministro que pondere, com “moderação e cuidados”, a reabertura imediata dos “bares tradicionais”, salientando que esses estabelecimentos são “cafés com um diferente horário”.

“Uma boa parte dos portugueses aguarda o momento para regressar ao convívio nos bares tradicionais, de lugar sentado, e, com enorme alegria, abrir a garrafa de vinho português que fará a economia nacional rolar”, lê-se numa carta do MAB – Movimento pela Abertura dos Bares, que foi esta sexta-feira enviada ao primeiro-ministro, António Costa.

A missiva, a que a Lusa teve acesso, é subscrita por mais de 200 pessoas, entre as quais o músico Manuel João Vieira, o escritor João Tordo, o embaixador Seixas da Costa, a atriz Soraia Chaves e Teresa Ricou, do Chapitô.

Representantes de mais de 50 bares subscrevem também a carta em que é recordado que, há mais de três meses, “milhares de gestores e clientes” dos bares portugueses “têm sido exemplares no cumprimento de uma lei seca social”, imposta pela pandemia de Covid-19.

Contudo, é salientado, agora que a maioria do setor da restauração e hotelaria voltou a reabrir, ainda que de forma condicionada, os bares continuam encerrados.

“Por isso, em nome de muitos, pedimos a V. Exa. que pondere, com a devida moderação e cuidados, a reabertura imediata dos bares tradicionais. Estes pequenos bares não são mais do que as pastelarias e cafés, com diferente horário”, lê-se na carta.

Na missiva é ainda referido que os donos destes bares estão dispostos a “draconianas medidas, a bem dos seus clientes e da saúde pública”, salientando-se que “a lei seca começa a fazer fechar contas bancárias, a atrasar rendas, a dificultar a vida com os razoáveis fornecedores”.

O bar é o lugar que contribui para o “debate de ideias, para a essencial sobrevivência da democracia enquanto ideia e realidade” e é também “nos bares que se conversa, se escreve, que se compõe, que se faz a catarse dos dias maus”, lê-se ainda na carta.

Em declarações à Lusa, a porta-voz do MAB-Movimento pela Abertura dos Bares, Maria João Pinto-Coelho, criticou o facto de se estar a colocar “no mesmo saco” bares e discotecas, salientando que as únicas semelhanças dizem respeito aos horários e às bebidas servidas.

“Estamos a ser descriminados”, disse Maria João Pinto-Coelho, insistindo que os bares tradicionais têm muito mais parecenças com o serviço de cafetaria, já que os clientes também estão sentados em mesas e existe um atendimento personalizado.

Há cerca de uma semana, o primeiro-ministro foi questionado sobre a situação das discotecas, adiantando não existir ainda uma data para a abertura daqueles espaços, uma vez que é impossível reabrir atividades em que o afastamento físico não é possível.

“Não há discotecas com afastamento físico”, disse.

A pandemia de Covid-19 já provocou mais de 421 mil mortos e infetou mais de 7,5 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 1.505 pessoas das 36.180 confirmadas como infetadas, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.