Cinco mudanças de uma jornada para a outra. Carlos Carvalhal ficou desagradado com a derrota do Rio Ave na primeira semana da retoma da Liga, contra o P. Ferreira, e tal como não o escondeu na flash interview logo após o apito final, também não o soube esconder na hora de montar a equipa para visitar o Moreirense. Por isso mesmo, mexeu em todos os setores, tirou cinco jogadores e colocou outros cinco e entrou esta sexta-feira em campo com a ideia de que era praticamente obrigatório ganhar para continuar a sonhar com a Europa.

Saíram Diogo Figueiras, Matheus Reis, Tarantini, Lucas Piazon e Nuno Santos, entraram Pedro Amaral, Borevkovic, Filipe Augusto, Gelson Dala e Carlos Mané. Carvalhal mudava duas peças na defesa, uma no meio-campo e duas no ataque, na fase mais recuada nas costas de Taremi. Afinal, e feitas as contas, o Rio Ave precisava esta quinta-feira dos três pontos para voltar a ultrapassar o V. Guimarães e aproximar-se novamente do Famalicão. A equipa de João Pedro Sousa, que depois de vencer o FC Porto na primeira jornada do regresso, ganhou ao Gil Vicente, está em igualdade pontual provisória com o Sporting e ocupa atualmente o quinto lugar que dá acesso à Liga Europa — algo que é, de forma inequívoca, o objetivo capital do Rio Ave para esta temporada. Para voltar a ficar perto do sonho, era necessário ganhar esta sexta-feira ao Moreirense.

A nortada deixou Pepa e Carlos Carvalhal a 16 cm de distância (a crónica do Rio Ave-P. Ferreira)

Um Moreirense que, por sua vez e em caso de vitória, ultrapassava o Santa Clara, subia ao oitavo lugar e ficava a dois pontos, precisamente, do Rio Ave. Ou seja, uma equipa teoricamente mais forte do que o P. Ferreira que no passado domingo superou os vilacondenses. Algo que Carlos Carvalhal esperava ultrapassar com a melhoria da “concentração”, tal como explicou na antevisão. E a verdade é que os primeiros minutos da partida trouxeram isso mesmo: o Rio Ave tomou o controlo do jogo desde os instantes iniciais, com a primeira linha de construção muito subida que encurtava os espaços do Moreirense e não permitia ao conjunto de Ricardo Soares as transições rápidas que são claramente o seu forte.

Gelson Dala foi o primeiro a protagonizar um lance perigoso, através de um remate forte de fora de área que desviou num defesa e obrigou Pasinato a uma defesa apertada (18′), Luther Singh respondeu do outro lado ao atirar na diagonal (21′) mas o jogo disputava-se principalmente no início do meio-campo do Moreirense, onde o Rio Ave tentava explorar os eventuais caminhos que podia descobrir rumo à baliza adversária. O desbloqueador do costume, que acabou por desatar uma defesa bem montada por Ricardo Soares que tinha o objetivo de tardar o mais possível o inaugurar do marcador, foi Taremi: o avançado iraniano foi carregado em falta por João Aurélio, quando avançava para responder a um cruzamento, e converteu a grande penalidade que ele próprio conquistou (36′).

Na ida para o intervalo, o Rio Ave tinha sido melhor sem ser avassalador — até porque o Moreirense mostrou, a partir de certa altura da primeira parte, que os vilacondenses estavam a ter mais bola também por permissão da equipa de Moreira de Cónegos. Depois do golo sofrido, Ricardo Soares pediu à equipa para subir, encurtar os espaços permitidos aos jogadores do Rio Ave, aplicar uma pressão mais alta e apostar nas transições rápidas pelas alas, algo que ainda não tinha mostrado até ao momento. No início da segunda parte, existia por isso a sensação de que o Moreirense iria vender cara a vitória à equipa de Carlos Carvalhal.

Ao intervalo, Ricardo Soares tirou D’Alberto para lançar Abdu Conté mas a perceção deixada pelos primeiros minutos foi tirada a papel químico da do primeiro tempo: mais Rio Ave, com a fase inicial de construção de meio-campo, e um Moreirense a esforçar-se para se alongar mais no relvado e não deixar que os vilacondenses tivessem a bola durante muitos minutos consecutivos. A equipa de Moreira de Cónegos foi conquistando metros ao longo do tempo, acabou por inverter a dinâmica da partida — com Luther Singh a ser o principal informado na frente de ataque — e por volta da hora de jogo, depois de ganhar três cantos consecutivos, já estava a controlar os desígnios do encontro.

O cumprimento entre Ricardo Soares e Carlos Carvalhal, os dois treinadores

Foi nessa altura que Carlos Carvalhal decidiu mexer, para reforçar e refrescar o meio-campo, e lançou Piazon e Nuno Santos para os lugares de Mané e Diego Lopes. Mas mesmo com as substituições, o Rio Ave permaneceu a jogar mais pelo seguro do que a procurar encerrar o resultado: era o Moreirense quem corria atrás do prejuízo, quem ganhava a maioria das segundas bolas e quem tinha o controlo da zona intermédia. A equipa de Carlos Carvalhal tinha as linhas mais recuadas do que o habitual e só avançava em transição rápida e superioridade numérica, normalmente de forma mais direta e vertical — teve duas oportunidades para matar a história do jogo mas acabou por desperdiçar e prolongar o sofrimento até ao fim.

Tarantini entrou quando faltava um quarto de hora para o apito final, para tentar segurar o meio-campo, assumir a liderança dentro no relvado e garantir a vitória e o Moreirense acabou por já não conseguir chegar ao empate que procurou durante toda a segunda parte, interrompendo uma série de sete jogos seguidos sem perder. O Rio Ave ganhou pela vantagem mínima, ultrapassou o V. Guimarães e está novamente a dois pontos do Famalicão, relançando a corrida pelas competições europeias. Ainda assim, a equipa de Carlos Carvalhal é um dos conjuntos portugueses onde se nota maior diferença exibicional face às partidas de março, antes da interrupção, e ainda não conseguiu recuperar o ritmo e a qualidade que estava a implementar nos encontros de há três meses. Sobra Taremi, a referência ofensiva que esta sexta-feira foi dos poucos a resistir às alterações feitas pelo treinador e que é sempre a garantia — até quando tudo o resto parece estar a funcionar menos bem.