“A rampa que desci depois do meu discurso em West Point era muito longa e íngreme, não tinha corrimão e, mais importante, era muito escorregadia.” Foi assim que o Presidente dos Estados Unidos se defendeu. Nas redes sociais, o vídeo de Donald Trump com dificuldades em descer uma rampa, no fim de um comício, tornou-se viral, para além do chefe de Estado ter tido algumas dificuldades durante o discurso.

“A última coisa que eu ia fazer era “cair” para os Fake News se divertirem”, acrescentou o Presidente no Twitter.

De acordo com a reportagem da agência de notícias francesa AFP, durante o discurso que proferiu na Academia Militar de West Point, perto de Nova Iorque, Donald Trump teve de segurar um copo com as duas mãos — algo que faz com frequência — e mostrou dificuldade em proferir o nome do general Douglas MacArthur, um herói norte-americano da Segunda Guerra Mundial, chamando-lhe antes McGarther.

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No final do discurso, as imagens mostraram o Presidente a descer uma rampa de saída do palco de forma hesitante, com pequenos e cautelosos passos, o que levou a comentários nas redes sociais sobre a saúde do chefe de Estado norte-americano. Horas depois, Trump usou o Twitter para explicar que preferiu ser cauteloso a cair e dar uma oportunidade aos meios de comunicação social de o ridicularizarem, vincando que desceu os últimos três metros da rampa a correr.

A rampa “era muito longa e íngreme, não tinha corrimão e, sobretudo, era muito escorregadia”, acrescentou Trump, que faz este domingo 74 anos e que enfrentará o democrata Joe Biden nas eleições presidenciais de novembro.

O comício de sábado em Nova Iorque assinala o regresso aos palcos de Trump, que tem programado para o próximo fim de semana um outro comício que, devido ao previsível ajuntamento de dezenas de milhares de pessoas num recinto fechado, os peritos de saúde dizem ser muito perigoso devido à pandemia da covid-19.

“O comício é uma iniciativa extraordinariamente perigosa para as pessoas que nele participarem e para as pessoas que podem conhecê-las ou estar com elas depois”, disse o diretor do Instituto de Saúde de Harvard, Ashish Jha, ressalvando que a crítica nada tem a ver com a política.

“Diria o mesmo se Joe Biden [o candidato democrata às eleições] estivesse a planear um comício”, acrescentou o médico.

Trump irá usar um pavilhão com capacidade para 19 mil pessoas sentadas, que viu todos os eventos cancelados até final de julho, em Tulsa, no estado do Oklahoma, para uma ação de campanha na qual deverão estar presentes dezenas de milhares de pessoas. Estas são obrigadas a fazer um pré-registo de assistência, no qual assinam um documento em que prometem não processar ou responsabilizar a campanha de Trump caso fiquem infetados pela covid-19.

“Ao carregar no botão do Registo, reconhece que há um risco inerente de exposição à covid-19 em qualquer espaço público onde as pessoas estão presentes; ao participar no comício, você e os seus convidados assumem voluntariamente todos os riscos relacionados com a exposição à covid-19 e não responsabilizar a campanha de Donald Trump responsável por doença”, lê-se no documento.

Segundo a AP, os responsáveis da campanha escusaram-se a responder aos repetidos pedidos de comentário sobre o evento, e sobre a questão particular de obrigatoriedade, ou não, do uso de máscaras, distanciamento social ou outras medidas para conter a propagação do novo coronavírus.