O número de lares onde existem casos confirmados de Covid-19 diminuiu. Segundo adiantou António Lacerda Sales na conferência de imprensa deste domingo, são agora 240 as estruturas residenciais para idosos com infeções pelo novo coronavírus, o que correspondente “a menos de 10% do universo de lares do nosso país”. A 7 de maio, eram 251.

A descida no número de casos nos lares portugueses não é a única boa notícia do dia. Graça Freitas voltou a reiterar que o surto no bairro piscatório da Marinha, em Espinho, está controlado e, ao que tudo indica, circunscrito às habitações dos doentes já confirmados. “O maior contágio terá sido dentro das habitações das pessoas”, afirmou a diretora-Geral da Saúde este domingo, acrescentando que, pelos “testes que já têm resultado”, não terá havido “focos de transmissão no café”.

A responsável chamou no entanto a atenção para a necessidade de ter “cuidado” com estes dados, porque ainda se esperam alguns resultados aos testes realizados. A situação no barro da Marinha está a ser acompanhada de perto pelas autoridades de saúde, a autarquia e a Proteção Civil.

Diretora-Geral da Saúde espera que reabertura de centros comerciais em Lisboa aconteça de forma “ordeira”

Sobre a reabertura dos centros comerciais na região de Lisboa, marcada para a próxima segunda-feira, Graça Freitas mostrou-se novamente confiante na postura cívica dos utilizadores.

“Estes centros já reabriram noutros locais do país e não tivemos notas de distúrbios, de ajuntamentos anormais, nem de um comportamento não cívico por parte das pessoas. Nada faz esperar que esta reabertura não se verifique da mesma forma ordeira na região de Lisboa [e Vale do Tejo]. Aliás, Lisboa tem uma população que terá mais cuidados porque sabe que o vírus tem uma atividade que é ligeiramente superior à do resto do país”, afirmou.

António Sales também se mostrou tranquilo relativamente às manifestações marcadas para este domingo em Lisboa: “Continuamos a esperar o civismo e a garantia de segurança por parte de quem organiza estas manifestações. Temos reforçada esperança que a consciência cívica continue a manter-se”, disse o secretário de Estado da Saúde, admitindo que “estamos tranquilos em relação a essa situação” e apelando a que sejam “observadas as diretrizes” da Direção-Geral da Saúde (DGS).

Quanto à reabertura dos centros de dia, Graça Freitas admitiu que é uma das preocupações das autoridade de saúde. “Temos mais equipamentos para abrir nesta altura do verão. Vamos observar a epidemia e brevemente sairão orientações para os centros de dia, que sabemos que fazem bastante falta”.

“Vamos ver como é que esta questão de Lisboa e Vale do Tejo se reflete na mortalidade”

Questionada sobre os números em Espanha, país que já chegou a registar balanços diários com zero óbitos nesta fase da pandemia, e sobre quando Portugal poderá registar este tipo de resultados, Graça Freitas alegou que os dois países se encontram em fases diferentes. “Começámos a atividade epidémica mais tarde e também foi menos intensa”, referiu.

Face ao abrandamento dos óbitos por Covid-19 em Portugal, a diretora-Geral da Saúde admitiu preferir esperar e ter em conta os atuais surtos na região de Lisboa. “Vamos ver como é que esta questão de Lisboa e Vale do Tejo se reflete na mortalidade. Apesar de sabermos que muitos destes doentes são jovens e saudáveis, também ainda temos alguns lares com casos”, concluiu.

Máscaras descartáveis devem ir para o lixo doméstico e não para o ecoponto

Também na fase das questões dos jornalistas, a diretora-Geral da Saúde explicou que as máscaras de fabrico comunitário e reutilizáveis, cuja produção em Portugal obedece a regras específicas, devem ser usadas de acordo com as instruções dos fabricantes. Graça Freitas aconselhou a leitura dos rótulos para perceber qual a periodicidade e a melhor forma de fazer a higienização das mesmas.

Quanto às máscaras cirúrgicas e descartáveis, reforçou a importância de estas serem depositadas no lixo doméstico após a utilização e não no ecoponto.

Já sobre os riscos associados à leitura de jornais ou revistas, Graça Freitas esclareceu que “o risco de manusear papel não é grande”, mas que a DGS continua “a achar que em zonas comerciais esse papel não deve estar presente, porque melhora muito a limpeza, a higienização da superfície. Quando mais livre uma superfície estiver, mais fácil será [limpá-la] entre cada cliente”.

Por enquanto, são estes os conselhos da Direção-Geral de Saúde. “Vamos aguardar mais uns dias e ver como a epidemia evolui no nosso país. Depois, daremos instruções”, disse ainda a responsável.

Linha de apoio psicológico já atendeu 16 mil chamadas. 1.500 foram de profissionais de saúde

A linha de aconselhamento psicológico da SNS 24, que continua disponível durante a fase de desconfinamento, já atendeu 16 mil chamadas, 1.500 das quais de profissionais de saúde, adiantou o secretário de Estado da Saúde, lembrando que “este serviço foi muito importante durante o confinamento” e que “continua disponível para esclarecer dúvidas e angústias, todos os dias, a qualquer hora”.

Relativamente à ferramenta de acompanhamento do novo coronavírus, a Trace Covid, são mais de 513 mil as pessoas inscritas e que “ao longo desta pandemia estiveram em vigilância”, informou também António Sales.