O Papa Francisco disse este domingo que segue com “apreensão e dor a situação dramática” na Líbia e pediu aos responsáveis políticos e militares que acabem com a violência, numa altura em que o país está enfraquecido pelo novo coronavírus.

“Exorto as organizações internacionais e as pessoas com responsabilidades políticas e militares a relançar com convicção e resolução um caminho que conduza ao fim da violência e à paz, estabilidade e unidade no país”, declarou o Papa através de uma janela do palácio na Praça de São Pedro, no Vaticano.

O Papa expressou também a sua profunda preocupação para com os migrantes, refugiados e pessoas deslocadas no país, pelo facto de a “situação sanitária agravar as suas condições de vida já precárias, tornando-os mais vulneráveis a formas de exploração e violência”.

“Existe crueldade”, afirmou Francisco, exortando “a comunidade internacional a levar a situação a sério”.

O Papa pediu que fossem fornecidos aos migrantes, refugiados e pessoas deslocadas no país “os meios de proteção necessários, condições dignas de vida e um futuro cheio de esperança”.

A Líbia, que possui as reservas de petróleo mais importantes no continente africano, é um país imerso num caos político e securitário desde a queda do regime de Muammar Kadhafi em 2011.

No leste do país existe um Governo rival, que apoia o marechal Khalifa Hafter, cujas forças lançaram uma ofensiva para capturar Tripoli em abril de 2019.

Desde o início da ofensiva das tropas de Haftar sobre Tripoli foram mortos mais de 280 civis e cerca de 2.000 combatentes, segundo a ONU. Perto de 150.000 líbios foram deslocados.