Mesmo que os números de infetados voltem a aumentar, a ideia do confinamento geral parece estar afastada dos planos do Governo. Os danos na economia e a especificidade da doença não justificam regras de confinamento gerais, mas sim a ação em “focos concretos”. Esta é a verdade daquilo que se conhece até 15 de junho. Se em março a solução foi fechar país após país, à medida que a doença foi avançando, três meses depois Marta Temido diz que “a maior parte dos países já percebeu que é necessário medidas de saúde pública que são de precisão e não tanto de mais confinamento”.

“Já aprendemos que não vale a pena estar a aplicar medidas generalistas quando os focos são concretos”, disse a ministra da Saúde, exemplificando com os casos em que algum aluno está infetado e toda a turma é testada e colocada em casa, tal como aconteceu em setores específicos da atividade. Foi este o caso da construção civil em Lisboa e Vale do Tejo, onde quase todos os trabalhadores foram testados depois de identificados alguns focos.

Já a situação em alguns concelhos da margem sul do Tejo, onde a propagação da infeção em alguns bairros sociais preocupou a autoridades e levou mesmo a que alguns cafés fossem encerrados no Bairro da Jamaica, está “controlada”.

Quero transmitir uma grande tranquilidade em relação àquilo que é a situação específica dos concelhos da margem sul do Tejo, nomeadamente Seixal e Almada. A incidência tem-se mantido relativamente constante e decrescente, os focos que tínhamos estão absolutamente contidos e controlados. É a informação que chega das autoridades locais de saúde”, disse a responsável pela tutela da saúde.

Questionada sobre uma eventual regressão no alívio das medidas de confinamento, Marta Temido diz que “poderá ser pensado aplicar medidas de aperto em determinadas áreas” porque já foi possível aprender “que não vale a pena estar a aplicar generalistas quando os focos são concretos”.

“Se durante vários dias o Rt se mantiver acima de 1, se o número de óbitos voltar a situar-se em números como os que já tivemos no passado, com várias dezenas de óbitos por dia, se os cuidados de saúde primários começarem a registar uma procura que não se está a registar, poderemos pensar em medidas de aperto em determinadas áreas”, disse a ministra.

Atividade suspensa nos hospitais em Lisboa e Vale do Tejo deverá ser retomada na próxima semana

A suspensão de atividade nos cuidados de saúde em Lisboa e Vale do Tejo deverá ser retomada “na semana próxima”, caso os números de novos casos se mantenha estável como até aqui, segundo Marta Temido, que diz que o facto de os novos casos diários se manter na casa dos 200/300 por dia e a utilização dos serviços de atendimento continuar “estável e com tendência decrescente” permitirá retomar a atividade.

Uma nota também para o número de óbitos semanal, que se mantém inferior aos números já registados: “A média semanal de óbitos tem vindo a cair: 5,4 na última semana, 10 na penúltima, 12 na antepenúltima”. E já que se tratava de apresentar números, a ministra evidenciou os que são mais positivos: Portugal é o nono país na incidência de novos casos por 100 mil habitantes e o 10º no número de óbitos.

“Não é o momento para esmorecer, é o momento para resistir e continuar a trabalhar para vencer esta luta, a da supressão da doença nas regiões ainda mais afetadas”, disse a ministra que esteve na sala de conferências de imprensa acompanhada da diretora-Geral da Saúde Graça Freitas. Depois de três meses a realizar briefings diários, as conferências de imprensa passarão a realizar-se, a partir desta semana, apenas à segundas, quartas e sextas.

Gabinete de crise em Lisboa “não é total novidade”

Já sobre o trabalho do gabinete de crise em Lisboa, Marta Temido recorda que a Norte também foi criado um, não sendo o de Lisboa uma “total novidade”, mas que surge como “uma resposta àquilo que foi um programa de rastreios intensivos”.

“Um programa de testes intensivos que agora tem que ter consequências em termos de ação no terreno e daí esta designação e a questão de facilidade de ter uma interlocução única que faz a ponte com outras entidades”, notou a ministra.

O gabinete de crise na região de Lisboa, segundo Marta Temido, “está a trabalhar no acompanhamento no terreno do que são as dificuldades pontuais de alguns concelhos da Área Metropolitana de Lisboa, na alocação de recursos aos locais que estão mais frágeis, na recuperação de informação que é indispensável para permitir a boa definição de políticas e para a boa definição de políticas intergovernamentais, além do acompanhamento numa fase mais adiantada deste ano”.

Sobre a atual situação dos lares portugueses, Marta Temido e a diretora-Geral da Saúde Graça Freitas frisaram que a situação continua a ser acompanhada “bastante atenção”, já que os residentes dos lares pertencem ao principal grupo de risco e que sempre que é detetado um caso numa instituição “as visitas são imediatamente suspensas”.

Ainda sobre a situação dos sem-abrigo, que esta segunda-feira se manifestam frente à Assembleia da República, Marta Temido diz que pode haver uma “janela de oportunidade” para retirar pessoas das ruas, voltar a inseri-las no mercado de trabalho e dar-lhes condições de habitação.

SNS está a ser preparado para confluência de época gripal e Covid-19

Segundo Marta Temido, Portugal continua a ampliar a capacidade instalada de camas de cuidados intensivos, com a instalação dos ventiladores que chegaram ao país depois de várias encomendas e doações realizadas, até para antecipar uma eventual confluência da gripe com a Covid-19, “caso não surja uma vacina” até lá.

A ministra lembra que o alívio das medidas de confinamento tenderão a aumentar o Rt, mas que o essencial é que “o risco se mantenha controlado”. Marta Temido diz ainda que até ao dia 11 de junho o Rt estava “ligeiramente abaixo de 1, em 0,97”, mesmo considerando o aumento do número de testes que se verificou na região de Lisboa e Vale do Tejo.

Portugal já fez mais de um milhão de testes: 6,5% testaram positivos

Portugal atingiu no domingo a marca de um milhão de testes à Covid-19, dos quais 6,5% deram positivo, anunciou a ministra da Saúde Marta Temido no briefing desta segunda-feira.

Segundo a ministra, 45,2% dos testes foram feitos no setor público, 39,3% no privado e 15,7% em “outros”.

A responsável pela tutela da saúde deu conta ainda do aumento do número de testes na região de Lisboa e Vale do Tejo no último mês, com uma média de 4.600 testes nos meses de maio e junho (superior em mil testes à média de abril).

Marta Temido esclareceu ainda que dos 14.117 testes realizados na região de Lisboa e Vale do Tejo, 5,1% testaram positivo e que “93% dos casos já estão nos relatórios de situação”.

No briefing desta segunda-feira uma nota ainda para as férias de verão dos profissionais de saúde. Marta Temido foi questionada sobre a hipótese de serem vedadas as férias aos profissionais, mas para já a ministra nega que isso “possa estar em causa”. “Neste momento não temos motivo para considerar que isso possa estar em causa, pelo contrário. Esperamos que o trabalho que temos para realizar até ao maior período de coincidência de férias de verão possa ser mais pacífico”, notou a ministra da Saúde.