*Em atualização

O presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump, assinou esta terça-feira uma ordem executiva com medidas para restringir a violência policial no país. Como avança a CNN, este documento surge como resposta às manifestações nos EUA após o assassinato de George Floyd pela polícia de Minneapolis, cria “princípios” de atuação a nível federal para as força de segurança e uma base de dados com agentes julgados por uso excessivo da força. A apresentação ficou também marcada por uma gafe do líder do país e críticas por esta medida ser branda.

Para já, como explica o The New York Times, este decreto não vai ter consequências imediatas. Os “princípios base” explanados no documento vão ainda ser trabalhados pelo Departamento de Justiça e pelo Congresso. Não obstante, Trump avançou que o documento refere que a técnica de contenção por estrangulamento poderá ser banida a não ser quando a vida de um agente está em perigo. Este tem sido um dos pedidos feitos por políticos das duas fações políticas no país, republicanos e democratas.

Sobre a base de dados a nível federal com a informação de agentes policiais julgados por uso excessivo da força ainda não se sabe muito. Contudo, como conta a CNN, o decreto vai exigir que se estabeleça um sistema nacional de certificação para as agências policiais e um banco de dados para rastrear melhor o uso excessivo da força.

Ao mesmo tempo que esta ordem vai exigir novas regras para os polícias também cria incentivos para que as autoridades as sigam. Contudo, como relatam o The New York Times, a CNN e outros meios, o Presidente já é criticada por este medida ser demasiado branda e por uma conferência que ficou àquem do pretendido. Como conta o The Guardian, Donald Trump não seguiu o guião durante a apresentação e afirmou que haveria uma vacina para a Sida referindo-se aos desenvolvimentos no combate ao novo coronavírus. O Presidente do país ainda corrigiu a afirmação e disse que, atualmente, a Sida já não é uma “sentença de morte” e há terapias.

“Criaram a vacina contra a Sida ”, disse Trump, antes de, rapidamente, corrigir-se. “Ou a Sida – e como sabem, há várias coisas, e agora várias empresas estão envolvidas – mas a terapêutica para a Sida. A Sida era uma sentença de morte e agora as pessoas vivem uma vida com um comprimido”, afirmou.

[Trump após a assinatura do decreto esta terça-feira, como foi publicado no Twitter pela Casa Branca] 

Ao anunciar o primeiro decreto na Casa Branca, Donald Trump referiu que este documento permite “oferecer um futuro de segurança para os americanos de todas as raças, religiões, cores e credos”. Ao mesmo tempo, o líder norte-americano lembrou que os cidadãos continuam a pedir “lei e ordem” nos país. “Sem polícia, há caos”, referiu.

Os americanos sabem a verdade. Sem polícia, há o caos. Sem lei, há anarquia. Sem segurança, há catástrofe”, disse Trump.

O decreto é assinado no mesmo dia em que o Presidente se reuniu com membros das famílias de Ahmaud Arbery, Botham Jean, Antwon Rose, Jemel Roberson, Atatiana Jefferson, Michael Dean, Darius Tarver, Cameron Lamb e Everett Palmer, cidadãos do país que morreram às mãos de forças policiais dos EUA.

“A todas as famílias afetadas, quero que saibam que todos os americanos choram ao vosso lado”, disse também Trump durante a conferência. O líder prometeu que as vítimas de violência policial não “terão morrido em vão”. No entanto, não fez qualquer menção ao racismo sistémico que tem motivado protestos.

Manifestantes incendeiam restaurante em Atlanta depois da morte de afro-americano pela polícia. Agente foi despedido

Este decreto surge após as manifestações que foram desencadeadas pelo assassinato de George Floyd levado a cabo por polícias de Minneapolis em maio. Ainda este mês, o movimento teve mais repercussões após a morte de Rayshard Brooks, também um cidadão negro, levada a cabo pela polícia de Atlanta durante um detenção.