O ministro da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho, admitiu esta terça-feira que “alguns” dos militares portugueses em missão no Afeganistão podem regressar “ainda este ano”, estando o regresso dos restantes a ser equacionado para “inícios de 2021”.

Segundo o ministro João Gomes Cravinho, que falava aos jornalistas na Base Aérea N.º 11 de Beja (BA11), na quarta e na quinta-feira, vai decorrer, por videoconferência, “uma reunião ministerial NATO”, ou seja da Organização do Tratado do Atlântico Norte, e “um dos temas será, precisamente, a missão no Afeganistão”.

“Será seguramente muito interessante ouvir o secretário da Defesa dos Estados Unidos [da América], além de outros responsáveis da NATO”, afirmou o governante, remetendo mais esclarecimentos sobre este tema para essa reunião.

Mas, questionado pela agência Lusa, o ministro disse que, na reunião e atualmente, o Governo também está a começar a “equacionar o regresso” dos militares nacionais afetos a essa missão, “onde estão há vários anos”, os quais, “a partir de inícios de 2021, regressarão a Portugal”.

“É possível que, antes disso, portanto, ainda este ano, regressem alguns desses militares” colocados no Afeganistão, revelou João Gomes Cravinho.

O ministro da Defesa Nacional deslocou-se esta terça-feira à BA11 onde efetuou um voo a bordo do helicóptero Alouette III (ALIII), para assinalar o final de serviço desta aeronave, após 57 anos de operação na Força Aérea Portuguesa (FAP).

No voo, que durou cerca de 45 minutos, o ministro, que se sentou ao lado do piloto, sobrevoou a base aérea, o aeroporto de Beja, o território alentejano ou a albufeira do Alqueva, com a aeronave a fazer inclusive uma demonstração de aterragem no campo.

A 10 de março, o ministro já tinha admitido diminuir a presença de militares portugueses no Afeganistão, acompanhando uma redução das forças dos EUA e da NATO, mas não avançou qualquer prazo, na altura.

João Gomes Cravinho falava durante uma audição na comissão parlamentar de Defesa Nacional, na Assembleia da República, em Lisboa, que citou uma máxima da NATO, organização ao abrigo da qual os 213 portugueses estão colocados em Cabul – “In together, leave together (“Entramos juntos, saímos juntos”).

A NATO tem no Afeganistão uma missão de 16 mil homens, incluindo de Portugal, para treinar, apoiar e aconselhar forças afegãs.

Os militares portugueses garantem a segurança do perímetro da base da NATO em Cabul, ocupam postos de vigia na parte norte do aeroporto Hamid Karzai, fazem patrulhas, escoltas a pessoal e material, protegem instalações e pessoal durante situações de risco. Além disso, dão formação e treino a tropas afegãs na escola de operações especiais e de artilharia.

Esta força nacional destacada, a quarta desde o início da missão, está em Cabul desde outubro.