Poucas vezes uma banda terá sido tão honesta, logo a começar pelo nome: os Mancines chamam-se assim por homenagem a Henry Mancini, compositor americano de bandas-sonoras mundialmente reconhecido por canções como o “Pink Panther Theme” (o tema daquilo a que nós chamamos Pantera Cor-de-Rosa) e “Moon River”, do filme “Breakfast at Tiffany’s”. E quando se escolhe um nome assim sabemos que vamos entrar num universo povoado de referências cinemáticas e que, de alguma forma, chegar-nos-ão ecos de Nino Rota ou Ennio Morricone ou Bruno Nicolai.

Há sempre um perigo nisto – o de cairmos no território do fetichismo, em que uma banda procura mais homenagear os seus heróis do que criar a sua identidade e acaba por exagerar as características dos mencionados heróis em vez de aprender, com as subtilezas de cada um, a encontrar a sua própria caligrafia.

Mas descansem: logo em Eden’s Inferno, o primeiro álbum dos Mancines, lançado em 2015, havia esse universo das bandas-sonoras – mas sem fetichismo. E agora, em II, o álbum mais recente dos Mancines (e, como o nome indica, o segundo da discografia), o lado das bandas-sonoras e do universo da música exótica (patente no arranjo de flautas da ótima “Spirit of the blues”) ainda está presente, embora II seja mais variado, mais luzidio e pop que o seu antecessor – II é um disco de quem se deitou confuso e ao acordar olhou-se ao espelho e encontrou o seu rosto.

[“Is This a Go?”:]

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