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Ou vai ou Rashid, um capitão para toda a obra (a crónica do Santa Clara-Portimonense) /premium

Santa Clara começou melhor, teve oportunidades para marcar mas foi quando o Portimonense estava em vantagem e a jogar com menos um que empatou (1-1). Osama Rashid voltou a ser o MVP do jogo.

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Rashid marcou de grande penalidade o empate para o Santa Clara frente ao Portimonense na Cidade do Futebol

Rashid marcou de grande penalidade o empate para o Santa Clara frente ao Portimonense na Cidade do Futebol

Osama Rashid é iraquiano, já jogou pelas camadas jovens da Holanda, assume a braçadeira de capitão do Santa Clara, está referenciado por clubes portugueses e estrangeiros. Aos 28 anos, é um dos elementos da Primeira Liga que mais se tem destacado (mais uma vez) esta temporada. Lincoln, um jovem brasileiro com formação do Grémio de Porto Alegre, até pode despertar outro tipo de atenção – baixinho, canhoto, fortíssimo nas bolas paradas, com ginga de médio ofensivo mas com inteligência de médio box to box mais europeízado. No entanto, é o número 6 dos açorianos que dá o que qualquer equipa necessita: equilíbrio. Hoje não foi exceção.

Rashid tem uma história de vida que por si só é um exemplo. Nascido no norte do Iraque, fugiu da guerra com a mãe e dois irmãos com três anos, passou pela Turquia, radicou-se depois na Holanda. Começou a jogar num clube mais modesto, o Zuidoostbeemster, mas foi ainda nas escolinhas para o Feyenoord de Roterdão, fazendo aí todo o percurso da formação e chegando às seleções Sub-16, Sub-17 e Sub-18 da Holanda. Em 2009 teve uma infelicidade que para muitos poderia significar o fim da aventura, quando contraiu uma lesão com gravidade no Europeu de Sub-17 e ficou assim privado de treinar com a equipa principal do Feyenoord, acabando por sair.

Arriscou o Den Bosch, um clube mais modesto, e sentiu o choque. Passado um ano acabou por sair. Nessa fase já representava a seleção iraquiana e foi via selecionador da altura que recebeu a possibilidade para ir à experiência ao Werder Bremen, que só não ficou com ele porque o Feyenoord pedia uma verba pelo seu passe. “Fiquei farto de futebol. Decidi jogar em clubes amadores porque queria acabar a faculdade. Tinha começado [os estudos] com 16 anos mas parei. Quis acabar acabar e acabei. Fiz um mestrado em Gestão e em 2015 recebi uma proposta do Farense e vim para cá”, contou numa entrevista ao Expresso em abril de 2019. Antes de chegar a Portugal, passou ainda pelo Excelsior Maassluis (uma época) e pelo Alphense Boys (duas). Seguiu-se a Segunda Liga.

Depois de se ter destacado no Algarve, ainda teve uma fugaz passagem pela Bulgária (Lokomotiv Plovdiv) mas, a partir de 2017, fixou-se nos Açores. Subiu de divisão pelo Santa Clara, manteve-se como referência e hoje é um dos principais líderes do balneário, uma figura muito acarinhada entre jogadores e adeptos que fala seis línguas e sabe que depois de acabar a carreira irá trabalhar dentro do futebol aproveitando o percurso académico. A sua vida voltou a estabilizar e, na próxima temporada, poderá pela primeira vez defrontar o Farense na Primeira Liga. Esta terça-feira, foi mais uma vez uma das figuras em destaque dos açorianos por muito mais do que o golo que deu o empate frente a um Portimonense que acabou por sofrer quando tinha todas as condições para ganhar (1-1).

Ficha de jogo

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Santa Clara-Portimonense, 1-1

27.ª jornada da Primeira Liga

Cidade do Futebol, em Oeiras

Árbitro: Gustavo Correia (AF Porto)

Santa Clara: Marco; Rafael Ramos, João Afonso, Fábio Cardoso, Mamadu Candé (Carlos Júnior, 62′); Rashid (Nené, 86′), Anderson Carvalho (Francisco Ramos, 66′), Lincoln; Costinha (Zé Manuel, 86′), Zaidu e Thiago Santana (Cryzan, 62′)

Suplentes não utilizados: Rodolfo, César, Sagna e Diogo Salomão

Treinador: João Henriques

Portimonense: Gonda; Hackman; Lucas Possignolo (Bruno Costa, 87′), Willyan e Fali; Dener, Júnior Tavares (Jadson, 74′), Lucas Fernandes (Moreno, 87′); Bruno Tabata, Aylton Boa Morte (Beto, 87′) e Jackson Martínez (Ricardo Vaz Tê, 46′)

Suplentes não utilizados: Ricardo Ferreira, Rômulo, Henrique e Pedro Sá

Treinador: Paulo Sérgio

Golos: Willyan (61′) e Osama Rashid (81′, g.p.)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Bruno Tabata (36′), Lucas Possignolo (51′), Rafael Ramos (55′), Gonda (81′), Ricardo Vaz Tê (90+1′) e Nené (90+7′); cartão vermelho direto a Lincoln (75′)

O jogo não teve grande qualidade, ambas as equipas podiam ter feito melhor mas ficou mais uma vez bem patente que Santa Clara e Portimonense são duas das formações da Primeira Liga com mais talento em termos individuais. Jogadores que chegaram com formação em alguns clubes com tradição, casos de Lincoln ou Lucas Fernandes, outros que começam agora a aparecer e já estão referenciados por conjuntos maiores como Zaidu ou Fali Candé. Depois, há sempre os elementos que parecem ter papéis secundários em campo mas que se tornam os principais para que os outros se destaquem. Osama Rashid é um desses exemplos. E hoje voltou a ser.

O Santa Clara começou melhor, com um remate na passada de Zaidu descaído na esquerda que passou ao lado da baliza de Gonda (3′), antes de uma de várias bolas paradas bem marcadas por Lincoln que foram colocando em sentido uma equipa algarvia com grandes dificuldades de saída em transição. Ainda antes da primeira meia hora, o guarda-redes japonês assumiu protagonismo com uma grande defesa no seguimento de um desvio de Thiago Santana ao primeiro após cruzamento de Zaidu (22′). Os açorianos tinham mais posse, maior domínio territorial e eram os únicos capazes de rematar à baliza, como aconteceu numa tentativa de meia distância de Rashid (34′) perante um Portimonense que voltou a demorar a entrar no jogo como tinha ocorrido com o Benfica.

[Clique nas imagens para ver os melhores momentos do Santa Clara-Portimonense em vídeo]

Com Jackson Martínez mais uma vez a fazer um esforço hercúleo para, mesmo a coxear, ajudar a equipa no que fosse possível, os algarvios iam insistindo num jogo mais direto mas tiveram ainda assim as suas oportunidades também na primeira parte, com o colombiano a desviar de cabeça para defesa de Marco na sequência de um livre lateral (39′) antes de ficar agarrado ao pé esquerdo mais uma vez e com dores percetíveis após ter caído mal na impulsão, já depois de um lance de bola parada em que Willyan também criou perigo (30′).

No segundo tempo, tal como tinha acontecido na última jornada, o Portimonense de Paulo Sérgio entrou melhor e chegou mesmo ao golo inaugural com um cabeceamento de Willyan após canto (61′), tendo outro bom momento por Bruno Tabata pouco depois. João Henriques foi tentando mexer na equipa mas a expulsão de Lincoln por uma entrada mais dura sobre Hackman (76′) parecia colocar o jogo a jeito para uma vitória que seria fundamental para os algarvios antes de uma grande penalidade muito criticada de Gonda sobre João Afonso que permitiu a Osama Rashid fazer o golo do empate de grande penalidade a nove minutos do final.

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