É a primeira vez nos 309 anos de história do Royal Ascot que uma multidão ansiosa não assiste às corridas de cavalos. A pandemia provocada pela Covid-19 obrigou a uma nova realidade: este ano o tradicional certame, que arranca esta terça-feira, vai acontecer à porta fechada devido às restrições de distanciamento social.

E se não há público, isso significa que este ano também não há o habitual desfile de chapéus mais ou menos extravagantes a que há muito nos acostumámos, pelo menos menos ao vivo e a cores, nomeadamente no aclamado e concorrido Ladies Day, devidamente regado a champanhe. As restrição não se aplicam, no entanto, às apostas.

Naturalmente que também em 2020 a rainha Isabel II não marca presença no evento que se prolonga até 20 de junho — ao todo, são cinco dias com 36 corridas que agora podem ser vistas no conforto de casa, com as corridas a serem transmitidas no canal ITV.

Royal Ascot. Está de volta a corrida aos chapéus floridos, temáticos e extravagantes

A pompa e circunstância da iniciativa fica assim adiada por um ano e a rainha terá de assistir à iniciativa a partir do Castelo de Windsor. Apesar de se manter longe das pistas, Isabel II — que participa no Royal Ascot há mais de sete décadas como espetadora, mas também como uma bem-sucedida dona de cavalos que já gozou 23 vitórias ao longo dos anos — deixou uma mensagem aos fãs do Royal Ascot, entretanto publicada no Instagram. Na nota que assina refere que o evento vai ser diferente em 2020, mas que com o esforço de todos os envolvidos permanecerá “uma das melhores ocasiões desportivas do Reino Unido”.

Quanto aos súbitos, poderão entreter-se com os passatempos e desafios que a organização tem lançado nas suas redes sociais nas últimas semanas, uma forma de evocar o evento a partir de casa, seja através de um jogo de bingo criado para o efeito ou através da recriação de um figurino à altura com carácter beneficiente. De resto, graças à iniciativa Styled with Thanks, as redes prometem encher-se por estes dias com os looks e vistosos acessórios que deveriam ter brilhado em Ascot e que são agora apresentados a partir de casa para assinalar a data.

A organização espera que nas pistas estejam um máximo de 500 pessoas — um número bem distante das 300 mil que costumam passar todos os anos pelos portões. Entre as cinco centenas de pessoas estão jóqueis, treinadores, empregados e seguranças. Todos eles terão de preencher questionários de saúde antes de chegar às pistas (também a sua a temperatura será medida), sendo que nem os donos dos cavalos não estão autorizados a estar no recinto. Quanto ao desempenho das outras estrelas, os cavalos, não faltam palcos online para seguir a par e passo.