No início da semana passada, foi Salwa Eid Naser. A campeã do mundo dos 400 metros, que conquistou o ouro nos últimos Mundiais de Doha, foi suspensa provisoriamente pela Athletics Integrity Unit (AIU) por ter falhado três controlos anti-doping no espaço de um ano. A atleta que compete pelo Bahrain contestou a decisão, garantiu que faltar a três controlos em 12 meses é “normal” e que nunca fez “batota”: no entanto, pode acabar com dois anos de suspensão e fora dos Jogos Olímpicos de Tóquio. Esta quarta-feira, chegou a vez de Christian Coleman.

Salwa Eid Naser foi ouro em 2019, está suspensa em 2020 e tem 2021 em risco: tudo porque faltou a quatro controlos anti-doping

Também campeão do mundo em Doha, o norte-americano conquistou as medalhas de ouro nos 100 metros e na estafeta 4×100 metros, sendo nesta altura um dos nomes mais entusiasmantes e promissores da velocidade internacional. Contudo, e tal como Salwa Eid Naser, Coleman foi esta quarta-feira suspenso provisoriamente pela AIU por ter violado três vezes as regras da Agência Anti-Doping. Como? Ora, todos os dias, todos os atletas têm de informar as autoridades anti-doping sobre o sítio onde vão estar durante uma hora, em caso de necessidade de serem testados. Esta violação indica que tanto Naser como Coleman não informaram a agência sobre o local onde os podiam encontrar ou, em alternativa, não estavam onde disseram que iam estar. Em situações normais, e depois de a investigação estar totalmente concluída, os atletas que são acusados deste tipo de violações acabam por ser suspensos durante dois anos, o que significa que o representante dos Estados Unidos falharia os Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2021.

Christian Coleman reagiu à notícia através do Twitter, onde publicou uma longa resposta à decisão disciplinar e acusou a AIU de montar “uma armadilha” para o apanhar. “Quero que todos conheçam a situação com a qual estou a lidar. Há uns dias, a AIU chegou à conclusão — da qual eu tenho vindo a recorrer nos últimos seis meses — de que eu falhei um teste no dia 9 de dezembro de 2019. E agora, isso pode resultar na minha suspensão, devido a outros casos que acontecerem há bem mais de um ano, nesta altura”, explicou o atleta, detalhando que os outros dois controlos aos quais não terá respondido foram em janeiro e abril do ano passado.

“Não podem dizer que eu ‘falhei’ um teste se aparecem à minha porta (estacionados fora do portão, não há registo de alguém ter entrado em minha casa) sem o meu conhecimento. Tocaram à campainha enquanto eu estava a fazer compras de Natal a cinco minutos de distância, no centro comercial, e nem tentaram ligar-me ou chegar à fala comigo”, garante Coleman, que diz ter “recibos e extratos bancários” para provar que naquele dia, àquela hora, estava mesmo a fazer compras. “Estava mais do que pronto e disponível para ser testado se tivesse recebido uma chamada”, termina o atleta de 24 anos, acrescentando que acredita que foi alvo de uma “tentativa propositada” de o fazer falhar um teste”.

De recordar que Christian Coleman, que nos Mundiais de 2017 já tinha sido medalha de prata nos 100 metros e na estafeta 4×100, esteve perto de ser suspenso no ano passado: na altura, a Agência Anti-Doping dos Estados Unidos acabou por pedir ajuda à Agência Anti-Doping internacional para calcular a janela de 12 meses vigente e retirou as queixas. Aí, para além de pedir um pedido de desculpas oficial, o velocista garantiu que estava “disposto a ser testado todos os dias até ao fim da carreira” para provar que é inocente e que não utiliza substâncias proibidas.