O governo alemão apelou aos cidadãos para fazer o download de uma nova aplicação dedicada a rastrear pessoas infetadas com o novo coronavírus, lançada numa altura em que as restrições no país estão a diminuir, bem como o número de infeções.

A Corona Warn App enfrentou alguns desafios, sobretudo preocupações relacionadas com a privacidade dos dados, mas está operacional desde terça-feira de manhã e pretende complementar um sistema de rastreio humano implementado no país desde fevereiro, escreve o britânico The Guardian. Até às 12h desta terça já tinha sido descarregada mais de um milhão de vezes.

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A app em questão alerta os utilizadores se estiveram — e durante quanto tempo estiveram — em contacto a dois metros de distância ou menos com alguém que já testou positivo. A informação recolhida pela aplicação, ao contrário do que foi pensado inicialmente, apenas vai ficar guardada nos smartphones em si. Aos seus utilizadores foi-lhes garantido que a respetiva informação não vai ficar comprometida e que a aplicação não vai esgotar a bateria dos dispositivos.

Foram precisos 20 milhões de euros para desenvolver a Corona Warn App — que contou com o contributo de autoridades de saúde e de membros do governo alemão —, cujo uso é voluntário. Ainda assim, os virologistas admitem que esta só funcionará caso 60% dos alemães escolherem usá-la. A app tem um programa de código aberto que pode ser copiado e adaptado às necessidades de outros países.

Esta não é a única aplicação do género a ser adotada. Em França está a ser usada a StopCovid, que foi lançada na semana passada e enfrentou problemas técnicos quatro dias depois devido à grande procura. Também a Austrália optou por um sistema semelhante.

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Em Portugal há dois projetos que foram desenvolvidos para fazer este rastreamento de contactos, não estando ainda nenhum a funcionar no país: a CovidApp — uma solução elaborada pela startup portuense HypeLabs, que tem testado e implementado ao longo dos últimos cinco anos esta tecnologia de rastreamento e que já está a ser utilizada na Colômbia — e a StayAway, uma app desenvolvida pelo Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC-TEC), com o apoio do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto e que já foi apresentada ao Governo.

Os investigadores do INESC-TEC que têm estado a testar a app StayAway junto de centenas de pessoas acreditam que estará pronta para ser utilizada em Portugal no final de junho.