Tão cedo não deverá haver um negócio como aquele que levou João Félix para o Atl. Madrid por 126 milhões de euros, isso parece certo perante o atual contexto de pandemia e o impacto que isso terá de forma inevitável no mercado de transferências. Mas, olhando numa outra perspetiva, tão cedo o Atl. Madrid não terá a hipótese de receber uma promessa que ganhou o prémio de Golden Boy e que tem potencial para chegar a patamares mais altos. Se conseguirá, o que conseguirá e onde conseguirá, isso depende de vários fatores mas, no regresso ao ativo mais de três meses depois (ainda recuperava de lesão com o Athl. Bilbao), provou o seu valor.

O pior regresso possível: João Félix contrai lesão no ligamento do joelho em treino do Atl. Madrid

“A minha dúvida é se a forma de jogar do Atl. Madrid é a ideal para ele. Não quero criar polémica mas é a minha opinião. João Félix é um grande jogador, com uma capacidade técnica invulgar. Um jogador de grande nível. Mas não estou seguro que a forma do Atl. Madrid jogar seja a ideal e essa foi logo a minha dúvida quando ele assinou pelo clube. Diego Simeone é um grande treinador, as suas equipas são muito fortes e competitivas, mas João Félix não me parece um jogador ideal para lá”, comentou esta semana Carlos Carvalhal à rádio SER. “Num contexto diferente, veríamos um ‘grande’ João Félix. Isto não é uma crítica a Simeone, é inquestionável o que conseguiu. O seu trabalho fala por si! Apenas acho que este ‘casamento’ não é o melhor”, acrescentou.

As declarações do treinador do Rio Ave foram muito divulgadas em Espanha mas a ideia principal, em relação à ideia de jogo dos colchoneros e às características de João Félix, é uma questão há muito discutida na imprensa local perante o rendimento do português. No entanto, Simeone, que ao longo destes meses tem apontado as virtudes individuais e as correções coletivas que o número 7 deve fazer para encaixar melhor na equipa, recusa deitar a toalha ao chão e acredita que ainda pode tirar o melhor do avançado dentro do seu modelo, como fez questão de destacar na conferência de imprensa antes do encontro do Atl. Madrid frente ao Osasuna.

“Começou muito bem os treinos mas teve de parar devido à lesão no joelho e agora está a trabalhar com o mesmo entusiasmo. Vamos ter de avaliar como se encontra, fazer alguns testes e decidir o que é melhor para o jogo de amanhã [Hoje]. O que tem de fazer? Aquilo que fez noutros jogos, como contra o Villarreal e o Liverpool, antes da paragem. Fez um grande início de época mas depois da lesão teve dificuldades para retomar o ritmo e a conexão com os colegas. Acabou por voltar a mostrar o que fez nos primeiros meses. É um rapaz jovem e é normal que lhe aconteçam estas coisas mas acreditamos que possa ser determinante para a equipa até ao final da época”, disse o argentino, acreditando de que era possível potenciar já João Félix. E esta noite conseguiu.

Numa primeira parte onde foi explorando a profundidade com os dois avançados e as variações de flanco mais rápidas (com Herrera em destaque), o Atl. Madrid subiu em relação à qualidade ofensiva diante do Athl. Bilbau e chegou à vantagem ainda antes da primeira meia hora, com Saúl a rematar mal após cruzamento de Lodi, a defesa da equipa de Pamplona a não tirar a bola da área e João Félix a encher o pé para um disparo sem hipóteses (27′). O português estava inspirado e, até ao intervalo, que chegaria com a vantagem mínima, fez uma grande assistência para Correa após jogada individual antes de tentar também o segundo golo, evitado por Rubén.

No segundo tempo, o Osasuna tentou subir um pouco mais as linhas mas, numa transição rápida a explorar de novo as costas da defesa contrária, Diego Costa isolou-se e assistiu na área João Félix para o segundo golo, naquele que foi o primeiro bis do português desde que deixou a Luz e chegou à Liga espanhola no último verão. Marcos Llorente, o herói da passagem do Atl. Madrid em Anfield frente ao Liverpool, entrou para aumentar a vantagem para 3-0 numa insistência na área (79′) e a goleada ficou fechada com mais dois golos no final, por Morata (83′) e Yannick Carrasco (88′), também eles lançados por Diego Simeone no decorrer do segundo tempo.