O presidente do Parlamento Europeu anunciou esta quarta-feira que vai pedir explicações às autoridades belgas, depois de uma eurodeputada alemã de ascendência africana ter relatado no plenário ter sido intimidada pela polícia em Bruxelas.

David Sassoli, o presidente da assembleia da União Europeia (UE), afirmou que as autoridades belgas “devem uma explicação” ao Parlamento Europeu (PE). Sassoli reagia à intervenção da eurodeputada Pierrette Herzberger-Fofana que anunciou ter apresentado queixa por violência policial por um incidente, na terça-feira ao final do dia, na Gare do Norte, em Bruxelas.

Segundo relatou, quando saía da estação de comboios viu nove polícias a intimidar dois jovens negros e, como tinha o telemóvel na mão, tirou uma fotografia, o que, disse, “é legal”. Nessa altura, os polícias dirigiram-se a ela, tiraram-lhe o telemóvel e a carteira, empurraram-na contra a parede e revistaram-na, de “forma humilhante”.

Pierrette Herzberger-Fofana é cidadã alemã, nascida no Mali.

A polícia de Bruxelas justificou-se afirmando que a eurodeputada interveio na ação policial ao começar a filmá-la. Segundo uma porta-voz da polícia, Amal Ihkan, a eurodeputada começou por recusar mostrar a sua identificação e, uma vez verificados os seus documentos, pôde seguir caminho.

A porta-voz disse ainda haver imagens que mostram que a eurodeputada não foi agredida, mas que foi aberto um inquérito ao incidente.

Pierrette Herzberger-Fofana relatou o caso no início de um debate no PE sobre racismo e violência policial, na sequência das manifestações em várias cidades europeias associadas à morte de George Floyd, um norte-americano negro morto por um polícia branco nos Estados Unidos no final de maio.

O debate foi antecedido de um minuto de silêncio “em memória de George Floyd e todas as vítimas de violência, racismo e discriminação”.