Os investigadores da polícia alemã garantiram, esta quarta-feira, “ter provas” de que Madeleine McCann, desaparecida em 2007, em Portugal, está morta.

“O que temos são provas ou factos concretos, e não meras indicações”, disse o porta-voz da Procuradoria de Brunswick, na Alemanha, Hans Christian Wolters, à AFP. O investigador explica, no entanto, que não são “provas forenses”, como o local onde pode estar o corpo. A imprensa britânica, na segunda-feira, já revelava que Wolters teria escrito e enviado uma carta aos pais de Maddie, Kate e Gerry McCann, a confirmar a morte da criança.

A notícia surge na mesma semana em que foram revelados mais detalhes por uma reportagem, transmitida no programa Spiegel TV, sobre o desaparecimento da criança inglesa da Praia da Luz, em 2007. Segundo o documentário, Christian Brückner, o principal suspeito no desaparecimento de Madeleine McCann, escondia roupa de crianças e mais de oito mil imagens pedófilas na sua autocaravana, comprada no início de 2010, três anos depois de ter saído de Portugal para se fixar na Alemanha. A viatura, suspeita-se, terá sido utilizada para viajar entre Portugal e o seu país.

Entre as roupas de crianças estavam diversos fatos de banho de crianças. Já as imagens de abusos sexuais de menores estavam guardadas em seis pen drives e dois cartões de memória, escondidas num saco de plástico e enterradas debaixo do corpo de um cão que Brückner teve.

O documentário refere, ainda, que a polícia alemã descobriu o veículo, em 2016, enquanto investigava o desaparecimento de uma outra menina – Inga Gehricke, conhecida como a Maddie alemã, que desapareceu em 2015, enquanto fazia um piquenique com a família.

A autocaravana, segundo a Spiegel TV, estava num terreno, que o próprio adquiriu, junto a uma fábrica abandonada, em Braunschweig, na Alemanha, onde Brückner viveu entre 2013 e 2015. A reportagem falou com uma testemunha, um antigo motorista de ambulância, que assumiu ter conhecido Christian, revelando que o suspeito lhe confessara que podia transportar drogas ou crianças no veículo “sem que ninguém as conseguisse encontrar”. Outro amigo, identificado apenas como Bjorn R, também falou sobre os comportamentos “estranhos” de Brückner, e revelou que o álcool fazia-o falar de mais. “Ele disse que estava em Portugal, onde entrou em todos os sítios e roubou câmaras”.

Ainda no documentário, um outro conhecido de Christian revelou que, em 2013, Brückner recebeu uma carta das autoridades alemãs para prestar declarações sobre o desaparecimento de Maddie. “Disse que não tinha nada a ver com isso e desvalorizou o assunto”, recordou a testemunha.

Christian tornou-se no início de junho o principal suspeito do desaparecimento de Maddie McCann, desaparecida na Praia da Luz, Algarve, a 3 de maio de 2007. Está atualmente a cumprir pena por tráfico de droga. Já acumulava 17 condenações de crimes sexuais pela Europa, incluindo crimes sexuais contra crianças. Além de Maddie e Inga, as autoridades alemãs estão a investigar o seu possível envolvimento no homicídio de Tristan Brubach, que tinha 13 anos quando desapareceu, em 1998, em Frankfurt.

Através do seu advogado, Friedrich Fulscher, Christian Brückner afirmou, esta semana, nada ter a ver com o caso, depois de ter dito que não vai prestar declarações, revoltado com as informações que o implicam no desaparecimento de Maddie.