A União Europeia (UE) e cinco organizações não-governamentais (ONG) internacionais associaram-se esta quarta-feira a organizações timorenses para dar apoio a alguns dos setores mais vulneráveis da população, no quadro de resposta à pandemia da Covid-19.

Dirigida a famílias em oito municípios timorenses, com um valor de 1,3 mihões de dólares de financiamento europeu, a iniciativa vai ser desenvolvida pelas ONG Care, Oxfam, Plan International, Catholic Relief Services e World Vision.

Andrew Jacobs, embaixador da UE em Timor-Leste, recordou o apoio multifacetado dado ao país no combate à Covid-19, sublinhando a importância desta iniciativa, que “visa as famílias mais pobres, prestando apoio económico e serviços de saúde às pessoas vulneráveis, incluindo as pessoas com deficiência”.

As ONG internacionais envolvidas vão trabalhar com várias organizações timorenses para “ajudar 32.000 pessoas a vencer os desafios que a covid-19 trouxe”, sendo especialmente visados os agricultores, líderes comunitários e membros dos grupos de microcrédito e poupança de Díli, Aileu, Baucau, Viqueque, Liquiçá, Ermera, Covalima e Oecusse-Ambeno.

“A iniciativa apoiada pela UE tem por objetivo melhorar a saúde e o bem-estar das famílias vulneráveis em zonas remotas de Timor-Leste, proporcionando instalações para lavagem das mãos e melhorias do sistema de água nas instituições de saúde e comunitárias, incluindo as igrejas”, refere uma nota da delegação da UE no país.

“Os equipamentos de proteção individual (EPI) e kits de higiene serão distribuídos aos trabalhadores da saúde e da comunidade”, acrescenta-se na nota.

A iniciativa ajudará também os agricultores a cultivar e armazenar os seus produtos. “Para garantir a segurança alimentar, será dado apoio aos vendedores locais que adquirem produtos dos agricultores, reforçando assim a ligação ativa entre os agricultores e os mercados”, precisa-se no comunicado.

O projeto prestará ainda assistência técnica para reforçar a poupança das aldeias e os grupos de microcrédito.

Em resposta ao risco do aumento de casos de violência de género e de assédio, o projeto vai ainda promover sistemas de encaminhamento, com uma campanha paralela de prevenção nas redes sociais e nos media.

Peter Goodfellow, responsável da CARE International em Timor-Leste, apontou que a “mobilidade reduzida pode impedir as mulheres vulneráveis de sair de casa”, o que faz aumentar a preocupação “com quem precisa de ter acesso aos serviços prestados às sobreviventes da violência”.

Apesar de Timor-Leste não ter atualmente casos ativos da doença, os riscos ainda não desapareceram, pelo que a iniciativa continuará a aposta na divulgação de informação, “reforçando a sensibilização para a prevenção e o envio de mensagens nas comunidades, através do apoio a voluntários comunitários no domínio da saúde, da radiodifusão e das redes sociais”.

“O reforço da capacidade das OSC (organizações da sociedade civil) locais é um dos principais focos do projeto para responder aos impactos da Covid-19. O projeto trabalhará em estreita colaboração com as OSC locais para apoiar os grupos vulneráveis em Timor-Leste, a fim de superar os impactos da pandemia na saúde, na sociedade e na economia”, disse Dillyana Ximenes, diretora nacional da Plan International Timor-Leste.

Yane Pinto, responsável da organização Catholic Relief Services em Timor-Leste, relembrou que “a pandemia da Covid-19 tem aumentado as vulnerabilidades das pessoas em Timor-Leste e está a agravar as desigualdades preexistentes”.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) apontou que as comunidades em Timor-Leste enfrentam desafios no acesso a informações precisas sobre a Covid-19, a canais de comunicação fiáveis e materiais e instalações de higiene que ajudem a prevenir a transmissão do vírus.

A Covid-19 está a ter um impacto na vida das pessoas em Timor-Leste em termos de meios de subsistência e segurança alimentar, e as comunidades continuam vulneráveis, sem acesso adequado às instalações de higiene”, indicou Kathy Richards, responsável da Oxfam.

O programa apresentado esta quarta-feira insere-se num pacote global de cerca de 3,5 milhões de dólares da União Europeia a Timor-Leste no âmbito da resposta à pandemia.