O Parlamento Europeu considerou esta quinta-feira “inaceitável” a posição do Reino Unido nas discussões sobre o futuro comercial com a União Europeia (UE), por apenas concordar com algumas políticas, e manifestou “forte apoio” ao negociador comunitário, Michel Barnier.

Numa resolução esta quinta-feira aprovada – com 572 votos a favor, 34 contra e 91 abstenções -, no âmbito da sessão plenária em Bruxelas, o Parlamento Europeu faz um balanço das negociações entre a UE e o Reino Unido com vista a uma nova parceria, até agora sem progressos.

No documento, os eurodeputados frisam ser “inaceitável” que o Reino Unido faça uma escolha seletiva de algumas políticas e exerça pressão para ter acesso ao mercado único após o Brexit, manifestando preocupação com a insistência do governo britânico em limitar as negociações.

A assembleia europeia lamenta, também, a “abordagem fragmentada” do governo do Reino Unido, bem como o facto de ainda subsistirem “divergências substanciais” ao fim de quatro rondas de negociações.

Os eurodeputados reiteram, por isso, o seu forte apoio ao negociador principal da UE, Michel Barnier, nas conversações com o homólogo britânico, David Frost, com base no mandato político que lhe foi conferido pelos Estados-membros e pelo Parlamento Europeu.

Frisando que um acordo global é do interesse de ambas as partes, os parlamentares exortam Londres a respeitar os compromissos assumidos com Bruxelas no acordo de saída da UE, tendo assim em vista uma nova dinâmica nas discussões, como pedido na reunião de alto nível realizada entre a UE e o Reino Unido na passada segunda-feira.

Nesse dia, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, e os representantes da UE comprometeram-se, após uma reunião por videoconferência, a “trabalhar arduamente” para chegar a um acordo sobre as relações pós-Brexit antes do final do ano.

A reunião de alto nível juntou Boris Johnson com o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Parlamento Europeu, David Sassoli, para fazer um balanço do progresso das negociações sobre o futuro relacionamento.

Tendo ficado clara a decisão do Reino Unido de não solicitar qualquer extensão ao período de transição que acaba em 31 de dezembro de 2020, ambas as partes sublinharam, num comunicado conjunto, a “intenção de trabalhar arduamente para concluir um relacionamento que funcione no interesse dos cidadãos da União e do Reino Unido”.

Johnson e os dirigentes europeus admitiram que “era necessário um novo impulso” e aprovaram os planos para intensificar as negociações a partir de julho de forma a “criar condições mais favoráveis para a conclusão e ratificação de um acordo antes do final de 2020”.

O Reino Unido abandonou oficialmente a UE em 31 de janeiro passado, mas permanece dentro do seu espaço económico e regulatório até ao final do ano, durante o chamado período de transição.

Entre os entre os assuntos com mais divergências nas negociações estão o acesso equilibrado a ambos os mercados, a governança da futura parceria, a proteção dos direitos fundamentais e o setor das pescas.

O governo britânico tinha admitido, em fevereiro, abandonar as negociações para um acordo pós-Brexit se não encontrasse progressos até junho.