Mais de 170 grupos de pais e mães de mais de 32 países apelaram à União Europeia para financiar um pacote de recuperação ecológica e aplicar uma estratégia corajosa e decisiva para o clima, no período pós-Covid-19.

Aproveitando a reunião do Conselho Europeu marcada para sexta-feira e a cimeira dos líderes da Parceria Oriental, que esta quinta-feira decorre, 177 grupos de pais e mães de todo o mundo escreveram uma carta aberta aos presidentes do Conselho Europeu, da Comissão Europeia e do Parlamento Europeu onde defendem que as instituições europeias estão numa posição única para assumir a liderança global com uma “estratégia corajosa e decisiva para o clima e transição ecológica”.

A crise do Covid-19 expôs a perigosa fragilidade dos sistemas socioeconómicos globais, particularmente no contexto de uma ecosfera que se esgota rapidamente”, escreve o movimento Parents for Future, sublinhando que o sistema deve “dar um salto em direção à resiliência e sustentabilidade”.

A Parents For Future, uma rede global de ativistas de pais inspirada pelo movimento Fridays for Future (greves escolares pelo clima), diz que a UE “está prestes a gastar recursos financeiros públicos significativos” que se tornarão a dívida das futuras gerações e que esse ónus é acrescentado à “dívida ambiental indescritivelmente maciça”.

Acreditamos que a forma como o dinheiro é gasto é fundamental e deve representar um investimento e não outro custo para o futuro de nossos filhos”, consideram, referindo-se ao Fundo de Recuperação europeu de 750 mil milhões de euros.

Este Fundo de Recuperação da UE é um instrumento de emergência criado após a crise gerada pela pandemia, através do qual Bruxelas recorre aos mercados para aumentar o seu poder financeiro para depois canalizar fundos para os países através de subsídios ou empréstimos, num valor total de 750 mil milhões de euros. Desta verba, poderão caber a Portugal 26,3 mil milhões.

Na carta aberta esta quinta-feira divulgada, o movimento Parents for Future diz que o fundo de recuperação e todos os outros esforços coordenados por estímulos à recuperação económica representam “uma oportunidade singular para um novo caminho de desenvolvimento”.

“Lembramos que a Agenda 2030 da ONU deixa claro que as instituições são uma das bases fundamentais da sustentabilidade e da equidade”, sublinha o movimento, acrescentando: “um visionário Fundo de Recuperação Verde enviará um claro sinal de política não apenas aos mercados europeu, mas também global”.

Defende ainda que, como o segundo maior mercado do mundo, a União Europeia “não está apenas numa posição única para assumir a liderança global, mas tem um imperativo moral” para o fazer.

A pandemia de Covid-19 causou a maior crise económica mundial desde a Grande Depressão de 1929, de acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI).

As medidas para combater a pandemia paralisaram setores inteiros da economia mundial e levaram o FMI a fazer previsões sem precedentes nos seus quase 75 anos: a economia mundial poderá cair 3% em 2020, segundo uma estimativa de março.

O Banco Mundial (BM) prevê uma recessão mundial de 5,2% em 2020, a mais profunda em oito décadas, “apesar das políticas sem precedentes” de mitigação do impacto da Covid-19, segundo as Perspetivas Económicas Mundiais divulgadas em 8 de junho.

Os chefes de Estado e de governo da UE reúnem-se na sexta-feira numa cimeira para discutir as propostas de recuperação que, em finais de abril, tinham encarregado a Comissão de preparar.

Em cima da mesa estarão as propostas de um Fundo de Recuperação da economia europeia no pós-pandemia, no montante global de 750 mil milhões de euros, e de um Quadro Financeiro Plurianual revisto para 2021-2027, no valor de 1,1 biliões de euros.

A pandemia de Covid-19 já provocou mais de 445 mil mortos e infetou mais de 8,2 milhões de pessoas em todo o mundo.

Em Portugal, morreram 1.523 pessoas das 37.672 confirmadas como infetadas, de acordo com os dados mais recentes da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.