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Bruno Lage e Carlos Carvalhal conhecem-se há muito. O primeiro foi adjunto do segundo no Dubai e em Inglaterra, os dois criaram uma ligação próxima que o treinador encarnado garante ser de “família” — até porque a verdadeira família de Lage, representada pelo irmão do técnico, está mesmo na equipa de Carvalhal. Por isso mesmo, sempre que Rio Ave e Benfica se cruzaram desde que os dois treinadores assumiram os respetivos cargos, tratou-se de uma ocasião especial. E esta quarta-feira não foi exceção.

Uma equipa com muito para remendar e só com um canivete suíço (a crónica do Rio Ave-Benfica)

Antes do apito inicial, Lage deslocou-se ao banco do Rio Ave para cumprimentar Carlos Carvalhal e o irmão, Luís. Depois do apito final, com a vitória do Benfica confirmada, o treinador encarnado passeou pelo relvado abraçado ao irmão, entre sorrisos cúmplices, e a entrada do técnico vilacondense na flash interview atrasou-se por meros segundos devido ao cruzamento entre os dois. Mas nada disto, porém, evitou e anulou o descontentamento de Carvalhal com a equipa de arbitragem da partida — que expulsou três jogadores do Rio Ave, entre o segundo amarelo a Al Musrati e os vermelhos diretos a Nuno Santos e Diogo Figueiras, sendo que este último recebeu ordem de expulsão já depois de ser substituído.

“Nem vou comentar, nem quero perder tempo com isto. Não vou perder tempo com isto, não vou. Não vale a pena dizer nada, porque tudo o que disser vai voltar-se contra mim. Está analisado. Foi um típico jogo de Campeonato português. Dividimos o jogo. Não há muito mais a dizer. Agora que venham os programas desportivos, abram-se garrafas de champanhe e discuta-se. No futebol português já nada me surpreende”, começou por dizer o técnico vilacondense, que voltou a criticar o futebol português e a respetiva arbitragem, como já tinha feito anteriormente. Carvalhal recordou um momento da época em que já tinha protagonizado uma flash interview semelhante à desta quarta-feira — quando o Rio Ave foi eliminado da Taça da Liga pelo Sporting –, altura em que chegou a colocar o lugar à disposição.

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“Vou ter de dizer isto: tínhamos o objetivo de chegar à final four da Taça da Liga e fomos atirados para fora dessa prova aqui mesmo neste estádio. Temos o objetivo da obter a melhor classificação de sempre do Rio Ave no Campeonato e vamos tentar fazer os pontos, se nos deixarem”, atirou, reforçando a intenção de bater o recorde de pontos conquistados pelo clube na Liga numa única temporada.

“Estamos a fazer tudo dentro do campo para pontuar. Não quero entrar por aí [arbitragem]. Não sei se tudo o que disser tem justificação, em Portugal tudo tem duas justificações. Agora, abram-se garrafas de champanhe, soltem as opiniões. É disto que o povo gosta, isto é que é o combustível do futebol português. Agora, é pôr a malta a falar nos programas desportivos. Não vale a pena um profissional perder tempo com isto”, terminou Carlos Carvalhal, que na conferência de imprensa sublinhou a intenção de não “alimentar” a discussão sobre as decisões da equipa de arbitragem liderada por Luís Godinho.