É o novo balanço oficial, mas as certezas quanto aos números continuam longe de ser totais em Espanha e as dúvidas são grandes. Esta sexta-feira, o ministro da Saúde, Salvador Illa, e o diretor do Centro de Coordenação de Alertas e Emergências de Saúde, Fernando Simón, voltaram a avançar um número total de vítimas mortais no país infetadas com o novo coronavírus. Não o faziam há 12 dias, desde dia 7 de junho, depois de uma revisão a 25 de maio ter eliminado do número de vítimas quase 2.000 óbitos.

Os números oficiais são agora estes: 28.315 óbitos de infetados com o vírus causador da doença Covid-19, o SARS-CoV-2, em Espanha, dado que aos 28.313 anunciados pelas autoridades somam-se outros dois óbitos adiantados já durante a tarde. Espanha continua a ser um dos cinco Estados com mais vítimas mortais por cada 100 mil habitantes, juntamente com São Marino, Bélgica, Andorra e Reino Unido e com dados piores neste parâmetro do que Itália, Suécia, França, Estados Unidos da América ou Holanda e significativamente piores do que Portugal e sobretudo Alemanha ou Dinamarca.

O total representa um aumento de 1.177 mortes desde 7 de junho, altura em que os dados relativos à mortalidade do vírus deixaram de ser contabilizados e a divulgação foi “congelada” para precisar os números. Porém, já na altura sabia-se que o número estava errado, aponta o jornal espanhol El País, indicando que as autoridades mantêm que o número de óbitos está em tendência decrescente, com 23 vítimas mortais a 10 de junho e uma diminuição regular desde aí (16 no dia 11, 9 no dia 12, 6 no dia 13, 8 no dia 14, 7 no dia 15, 5 no dia 16 e 2 no dia 17).

A confiança nos dados avançados pelas autoridades, contudo, deve ser relativa, já que as próprias entidades de saúde oficiais do país admitem que o número de vítimas mortais possa ser significativamente superior. Afinal, o próprio Fernando Simón reconheceu — já segundo o El Español — que há um excesso de mortes no país face ao período homólogo (o mesmo do ano anterior) de 12 mil a 13 mil pessoas, cuja causa de morte está ainda por apurar. Boa parte poderá ter outras causas de morte que não a infeção com o novo coronavírus, mas o próprio responsável de saúde admitiu que a percentagem dos óbitos por causas desconhecidas que estarão relacionados com o vírus poderá “não ser nada menosprezável”, ou seja, poderá ser significativa.

É este diferencial no número de mortes totais no país face ao ano anterior que justifica, aliás, que o sistema de medição “Sistema de Monitorização da Mortalidade Diária” do Instituto de Saúde Carlos III aponte para potencialmente 43.000 mortes de pessoas infetadas com o novo coronavírus. O Governo e as autoridades de saúde, porém, contabilizam como vítimas mortais relacionadas com coronavírus as mortes de pacientes a quem tenha sido diagnóstica a infeção, com teste positivo.

As outras mortes, que até ver escapam ao radar das autoridades políticas e de saúde do país, poderão também estar relacionadas com outras doenças e com um receio de outros doentes em deslocarem-se a unidades de saúde, devido à pandemia. No entanto, Fernando Simón admitiu, citado pelo El País, que quando o Instituto Nacional de Estatística (INE) terminar a compilação de dados de mortes já com todas as causas apuradas — o que não fará até ao próximo ano de 2021 — o número de mortes no país de doentes infetados poderá crescer.

Na conferência de imprensa em que foram anunciados os novos dados globais referentes às mortes no país desde o início da pandemia, o ministro da Saúde, Salvador Illa, informou ainda que em Espanha já foram feitos mais de três milhões de testes de diagnóstico PCR. E disse outra coisa: quando detalhou os surtos ativos detetados, que referiu estarem todos “controlados”, apontou para um com origem em trabalhadores temporários que regressaram a Espanha após trabalharem numa empresa com escritórios em Lisboa.