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O jogo em que Fábio Martins não jogou e isso foi lamentado pelas duas equipas (a crónica do Famalicão-Sp. Braga) /premium

Famalicão e Sp. Braga empataram sem golos, Custódio continua sem ganhar após a retoma, Sporting isolou-se no terceiro lugar. No final, sobrou uma pergunta: e se Fábio Martins tivesse jogado?

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Sp. Braga e Famalicão tiveram várias oportunidades para desfazer o nulo mas faltou eficácia sobretudo aos bracarenses

Gonçalo Delgado

Sp. Braga e Famalicão tiveram várias oportunidades para desfazer o nulo mas faltou eficácia sobretudo aos bracarenses

Gonçalo Delgado

As redes sociais funcionam cada vez mais como um complemento para a vida de qualquer desportista, neste caso em específico dos jogadores de futebol. Para alguns, os maiores dos maiores como Ronaldo ou Messi, nem vale a pena dizer muito: uma imagem, por mais random que seja, torna-se rapidamente viral com milhares e milhares de partilhas e comentários. Para outros, como tem acontecido sobretudo em Inglaterra nos últimos tempos, pode ser o início de problemas maiores – e basta recordar que Bernardo Silva foi castigado e multado por uma brincadeira com um dos amigos mais próximos, Mendy, ou que Dele Alli falhou o regresso do Tottenham frente ao Manchester United por um comentário menos feliz. Depois, como em tudo, há a (diferente) realidade nacional.

O Fábio de Mafamude, com a braçadeira em riste, foi a Barcelos marcar outra vez (a crónica do Gil Vicente-Famalicão)

Na formação dos principais clubes, os mais jovens chegam a ter sessões específicas organizadas pelos responsáveis para aprenderem a lidar com a pressão das redes sociais quando chegam ao profissionalismo. Depois há Ukra, avançado formado no FC Porto que fez grande parte da carreira no Rio Ave antes de passar pela Arábia Saudita e pela Bulgária e regressar a Portugal via Santa Clara, que é um dos grandes reis das redes sociais pela constante boa disposição, as brincadeiras com os companheiros de equipas ou as indumentárias surpreendentes que fazem rir qualquer um (alguém poderá esquecer a versão Borat no jogador nascido em Vila Nova de Famalicão?). Esta época, Fábio Martins tem ganho um especial estatuto nesse particular. E brilha, sobretudo, por ser genuíno.

Olhando apenas para três episódios depois da retoma do futebol: 1) fez questão de deixar vincado o repúdio com o ataque autocarro do Benfica (clube que nunca representou, numa carreira onde fez toda a formação no FC Porto) e as inscrições nas casas de alguns jogadores, numa linha que foi ultrapassada nesse momento; 2) num tom de maior humor, pediu para que a Sport TV tirasse a música que havia nos últimos minutos dos jogos da Primeira Liga – algo que acabou por acontecer; 3) saiu em defesa de Nuno Santos após os insultos e ameaças de que foi alvo após a expulsão diante do Benfica, queixando-se de uma doença que não muda chamada “clubite aguda” que muitas vezes faz com que alguns jogadores prefiram ir para o estrangeiro. Mais do que fãs ou seguidores, Fábio Martins ganhou um maior respeito ao mostrar a sua personalidade para falar dos problemas.

Esta noite, no nulo entre Famalicão e Sp. Braga que permitiu ao Sporting isolar-se no terceiro lugar, Fábio Martins foi o nome mais pensado mesmo não estando em campo (está cedido pelos arsenalistas ao conjunto de Vila Nova de Famalicão). E pensado pelos dois lados: ao Famalicão faltou o elo de ligação para juntar setores e conseguir sair com qualidade em transições aproveitando o 1×1 forte de Diogo Gonçalves e Rúben Lameiras; ao Sp. Braga, que melhorou em relação aos encontros com Santa Clara e Boavista, faltou alguém que jogasse mais por dentro e pudesse juntar-se a Paulinho na área para finalizar o jogo criado por Ricardo Horta e Trincão.

Ficha de jogo

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Famalicão-Sp. Braga, 0-0

27.ª jornada da Primeira Liga

Estádio Municipal de Famalicão

Árbitro: Hugo Miguel (AF Lisboa)

Famalicão: Vaná; Ivo Pinto (Patrick William, 81′), Nehuén Pérez, Riccieli, Alex Centelles (Coly, 81′); Racic, Roderick, Guga (Gustavo Assunção, 63′); Diogo Gonçalves, Rúben Lameiras (Walderson, 63′) e Toni Martínez (Anderson, 87′)

Suplentes não utilizados: Defendi, Ofori, João Neto e Cissé

Treinador: João Pedro Sousa

Sp. Braga: Matheus; Ricardo Esgaio, David Carmo, Bruno Viana, Sequeira; Fransérgio, André Horta (João Palhinha, 71′); Trincão (Rui Fonte, 87′), Ricardo Horta, Galeno (Wilson Eduardo, 71′) e Paulinho

Suplentes não utilizados: Eduardo, Rolando, Raúl Silva, Diogo Viana, João Novais e Pedro Amador

Treinador: Custódio

Ação disciplinar: cartão amarelo a Vaná (79′), Patrick William (84′ e 90+3′) e Ricardo Horta (90+1′); cartão vermelho por acumulação a Patrick William (90+3′)

O Famalicão entrou com personalidade, sem medo de circular a bola a sair de trás apesar da pressão mais subida do Sp. Braga (que desfez o sistema de três defesas que tinha ficado de Rúben Amorim e voltou a um 4x4x2 ou 4x2x3x1 mais tradicional) e a chegar com movimentos interiores ao último terço dos minhotos, criando duas boas oportunidades nos dez minutos iniciais: Guga, numa jogada que começou numa recuperação de bola no meio-campo adversário e prosseguiu com uma circulação rápida, atirou de pé esquerdo pouco ao lado da baliza de Matheus (2′); Toni Martínez, avançado formado no Valencia que teve contrato com o West Ham mas fez as últimas épocas cedido a equipas espanholas, subiu mais alto num canto mas o cabeceamento passou ao lado (9′).

[Clique nas imagens para ver os melhores momentos do Famalicão-Sp. Braga em vídeo]

Logo no minuto seguinte, num lance que começou nos pés de Matheus, teve uma grande variação de flanco de David Carmo para Galeno e terminou com um remate ao lado de Paulinho após desmarcação de André Horta, o Sp. Braga encontrou o estabilizador que lhe faltava para começar a equilibrar o encontro. Em termos ofensivos não houve muitos mais movimentos capazes que colocar a bola em zona de finalização mas a equipa foi crescendo, conseguiu condicionar a construção do Famalicão e terminou a primeira parte com duas chances claras para fazer o primeiro golo por Galeno (na recarga a um cabeceamento de Paulinho prensado na defesa, 41′) e Trincão, este último com um remate numa segunda bola após livre que passou a rasar o poste de Vaná (45+1′).

Se o Sp. Braga terminou bem a primeira parte, começou ainda melhor a segunda. Toni Martínez, um avançado que sozinho dá conta de uma defesa, teve um lance individual a fintar vários adversários antes de adiantar demasiado a bola e fazer falta sobre Ricardo Esgaio, mas foram os arsenalistas que conseguiram exercer uma maior pressão no meio-campo adversário e beneficiaram do jogo dos irmãos Horta, com André a dar nas vistas pelas variações longas de flanco que desequilibravam o Famalicão em termos defensivos e Ricardo a aproveitar os espaços entre linhas para criar superiores numéricas e colocar a equipa em posição de visar a baliza de Vaná.

O golo parecia uma questão de tempo e em duas ocasiões quase seguidas ainda houve festejos: Ricardo Horta, num livre direto em posição frontal, arriscou colocar a bola no ângulo do lado de Vaná mas a tentativa acabou por bater no poste e sair (56′) antes de uma jogada onde o médio ofensivo assistiu Paulinho para o golo mas o lance foi (bem) anulado por posição irregular de ambos na altura do passe para as costas da defesa do Famalicão (59′). Começava aí a dança das substituições, com João Pedro Sousa a colocar Gustavo Assunção no lugar de Guga no corredor central para dar outro peso à equipa que deixara de ganhar segundas bolas e duelos no meio e Custódio a abdicar da capacidade de passe de André Horta para equilibrar forças com João Palhinha ao lado de Fransérgio.

Sem capacidade para ter um elemento de ligação entre meio-campo e ataque que colocasse outra qualidade nas saídas dos alas (Diogo Gonçalves e Wanderson, que entretanto tinha rendido Rúben Lameiras), o Famalicão deixou de chegar à área de Matheus e quase que abdicou também de outro resultado que não fosse o empate, algo que “passou” para o Sp. Braga arriscar mais num pressing final que não deu frutos: Ricardo Horta teve um remate em arco ao lado da baliza de Vaná (78′), Trincão encontrou uma bola perdida na área após corte incompleto da defesa contrária para atirar forte mas por cima da trave (79′) e Ricardo Horta, mais uma vez, arriscou de primeira numa segunda bola após canto mas pegou mal e saiu muito ao lado (82′). Apesar das oportunidades, a equipa de Custódio voltou a não conseguir marcar e isso valeu a descida ao quarto lugar do Campeonato.

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