A polícia de Bruxelas manifestou-se esta sexta-feira contra a discriminação que, segundo os organizadores da ação, as forças de segurança estão a ser alvo depois de certas condutas policiais verificadas nos protestos desencadeados pela morte do afro-americano George Floyd.

O protesto, que decorreu na capital belga, reuniu cerca de 200 elementos de diferentes unidades das forças policiais de Bruxelas, segundo relatou a agência espanhola EFE.

Concentrados em frente ao edifício do Palácio da Justiça na capital belga, os agentes colocaram as respetivas algemas no chão num gesto simbólico.

“Entre os nossos colegas, há bons e menos bons, mas daí generalizar que todos os polícias são racistas e gostam de violência policial (…). Esse não é o caso”, afirmou a comissária Carolina Gonsalves, em declarações aos jornalistas no local.

A comissária também criticou a atuação da comunicação social, falando num “fanatismo mediático” que, na sua opinião, está a ser sentido atualmente pelos elementos das forças policiais.

“Por vezes, vemos imagens retiradas do contexto que não são interpretadas e que nem sempre coincidem com a realidade”, disse a comissária, admitindo, no entanto, que “certamente há coisas que alguns polícias fazem e que não devem ser feitas”.

“Os maus polícias são punidos”, frisou.

O inspetor Vicent de Clercq afirmou, por sua vez, que a polícia está “farta de ser criticada” e que “seguramente também existem jornalistas que são fascistas e mentirosos” porque “isso acontece em todo o lado”.

“Representamos a ordem pública e o Estado, e por isso é verdade que temos de dar o exemplo, mas não pode existir estigmatização, nem todos os polícias são monstros”, disse o inspetor.

Segundo referiu Vicent de Clercq, a partir do momento em que alguém faz uma queixa contra a conduta de um polícia, é aberta uma investigação administrativa, como tal, defendeu o inspetor, “não se pode dizer que as forças de segurança podem camuflar ou esconder os factos”.

George Floyd, um afro-americano de 46 anos, suspeito de falsificar uma nota de 20 dólares (18 euros), morreu, em 25 de maio, quando foi detido pela polícia em Minneapolis (estado do Minnesota, nos Estados Unidos).

A morte do afro-americano desencadeou protestos antirracismo e contra a violência policial nos Estados Unidos e em várias cidades do mundo sob o lema “Black Lives Matter” (“Vidas Negras Importam”), incluindo na capital da Bélgica.

Em Bruxelas, um total de 239 pessoas foram detidas no âmbito de uma manifestação antirracismo realizada no passado dia 7 de junho.

O protesto em Bruxelas, que contou com a participação de cerca de 10 mil pessoas, decorreu sem incidentes.

No entanto, após a manifestação, algumas centenas de pessoas entraram em confrontos com a polícia e vandalizaram lojas no centro da cidade belga.